Arquivo para Fevereiro 22nd, 2007

22
Fev
07

Os burburinhos do carnaval 15 02 07

É… e nem só de violência vive o Rio de Janeiro, graças a Deus. Nesta cidade também se vive de chopp (e muito), alegria, samba do pé e expectativa… sim, turistas e cidadãos cariocas e fluminenses vivem constantemente a expectativa do CARNAVAL. E que coisa mais linda é o carnaval, como faz vibrar e encanta essa festa popular tão grandiosa e colorida, democrática e soberana.

Quando a gente assiste pela televisão os desfiles de carnaval das escolas de samba do Grupo Especial, no Rio, ficamos entusiasmados com os artistas, as beldades de corpos esculturais e o som da bateria… são tantas cores, adereços, tanta criatividade e pessoas num mesmo ambiente compondo umas com as outras para um fim comum, o de bem fazer o carnaval, que nem nos damos conta de quanto trabalho deve dar isso…

Certa vez, em 2004, tive a oportunidade de assistir ao desfile do Grupo Especial na Sapucaí. Meu marido e eu não nos contínhamos de tanta alegria. Foi naquela noite que descobrimos o que é realmente a bateria de uma escola de samba, nada parecido com o que víamos pela televisão. Pessoalmente foi que sentimos a vibração contagiante que faz os pés tremerem, o coração bater mais forte e as palavras nos faltarem enquanto dão lugar a expressão “boquiaberto”. Uma emoção muito grande com certeza.

Neste carnaval, longe da família e angustiados com a situação que vivem os moradores da Cidade Maravilhosa que, a cada feriado sofre novas agressões com repercussão internacional, nós retornamos à nossa cidade natal para curtir a família e novamente, como um antigo hábito, assistir os desfiles pela TV na companhia de minha sogra, esta mais uma fã inscondiscional do carnaval do Rio. E olha que desta vez tínhamos até arriscado nos aproximar mais ainda do samba (rsrs) já que em janeiro havíamos, num programa em família, ido conhecer a Cidade do Samba, um lugar próprio para turistas gringos mas especialmente agradável (e obviamente caro) onde, por iniciativa de um projeto da Prefeitura do Rio, concentram-se os pavilhões e a produção/trabalho das escolas de samba do Grupo Especial (Estácio, Império Serrano, Mangueira, Viradouro, Mocidade, Vila Isabel, Porto da Pedra, Unidos da Tijuca, Salgueiro, Portela, Imperatriz, Grande Rio e Beija Flor). Enfim, o passeio a Cidade do Samba acabou sendo apenas para dar um gostinho…

Quem sabe no ano que vem não trazemos os familiares para nos acompanharem ao Sambódromo?? Se o Rio acalmar, com certeza. Por enquanto, bom carnaval a todos! E que façam bonito as escolas, pois a ansiedade do povo carioca e talvez dos brasileiros todos é grande!! Viva o carnaval.

Ficou com vontade de conhecer a Cidade do Samba – Fábrica de Sonhos?

Acesse http://www.cidadedosambarj.com.br/
Onde fica? Rua Rivadávia Correia, 60 – Gamboa – Rio de Janeiro – RJ 20.220-290 (no coração da zona portuária da cidade)
Contatos: 21 22132503 e 22132546 ou
adm@cidadedosambarj.com.br

Obs: moradores do Rio, idosos e estudantes pagam 50% do ingresso se portarem consigo um comprovante de residência, como conta de luz, água ou telefone. E até onde sei isso vale para baixa e alta temporada, diferente do Pão de Açúcar (bondinho) que só oferece o desconto a moradores na baixa temporada.
Preço: R$20,00

Mais informações, para fins de curiosidade, seguem abaixo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_do_samba

22
Fev
07

Manifestação Pública diz não à violência 14 02 07




MANIFESTAÇÃO PÚBLICA CONTRA A VIOLÊNCIA
LOCAL: IGREJA DA CANDELÁRIA, RIO DE JANEIRO
HORÁRIO: 11H

Hoje, no Rio de Janeiro, mais de 600 pessoas (informações do Jornal O Globo, on line) estiveram presentes na missa de sétimo dia do menino João Hélio, na Candelária e em seguida, participando de protesto contra à violência e a impunidade na cidade do Rio de Janeiro. Muitos grupos se manifestaram em favor e solidariedade à família de Rosa Cristina e Hélcio Vieites, pais de João, entre eles o Gabriela Sou da Paz, coordenado pelos pais da adolescente que morreu vítima de uma bala perdida quatro anos atrás, também no Rio.
A manifestação contou com gente do povo, imprensa, políticos e curiosos que prestaram homenagens à sua maneira, sensibilizados e ainda horrorizados com a onda de violência que tem nos cercado.
Eu, em especial, lamento porque me parece que este será apenas mais um caso com o qual alguns irão se projetar, alcançando certo destaque (e falo de políticos sim) e em pouco tempo, as coisas serão esquecidas, ficando a dor presente para sempre na vida dessa família, mas virando apenas mais uma história na memória dos brasileiros já acostumados a barbáries como essa… Espero estar errada!

Mais notícias sobre a manifestação nos links abaixo:

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2007/02/14/294569802.asp
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/#48396


Ontem, 13.2.07, em publicação no blog do jornalista especializado em criminalidade Jorge Antonio Barros (acima) constava que os organizadores do movimento Gabriela Sou da Paz e os pais de João Hélio haviam convidado o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, para participar das homenagens hoje, na Candelária. Ao que tudo indica o que Governador não perderia uma chance de aparecer e ontem mesmo confirmou presença.
22
Fev
07

Violência e Esperança na cidade maravilhosa

Esse desabafo resgatei de outro e-mail meu, de 13 de fevereiro passado…

Chocada com as notícias de crimes e aumento da onda de violência no Rio de Janeiro divulgadas em nível nacional nos últimos dias, eu páro e me pergunto:

Onde nossa sociedade vai parar? Existe ainda amor no coração das pessoas? Temos tempo de estacionar esse processo de regressão ao homem-bicho, podendo ainda solucionar a corrupção e a destruição dos valores sociais que tanto tempo demoraram para se estabelecer entre os homens? O que podemos fazer e como?

Claramente são muitas perguntas e difíceis de responder, mas se diante de crimes bárbaros e da continuidade de conflitos sociais a gente não fizer ao menos isso, parar para analisar nossos atos e questionar-mos sobre nosso papel social nessa democracia, seremos cúmplices de tudo que está acontecendo à nossa volta. Tenho certeza que todas as famílias, especialmente as mães brasileiras e quiçá estrangeiras, sensibilizaram-se com o crime cometido contra a família de João Hélio, menino de 6 anos, vítima fatal de homens inescrupulosos, cruéis e frios, em assalto ocorrido no Rio de Janeiro, na última quarta-feira. Eu não tenho filhos, mas tenho um sobrinho dessa idade e me senti ferida por imaginar que algo assim aconteceu a um anjo, uma criança indefesa que nada fez para atrair esse mal…

Esse caso em especial foi absurdamente chocante. Parece redundância minha dizer isso, mas todas as formas de expressar a grande dimensão que esse caso tomou parecem insuficientes. Sinto e espero não estar equivocada, quando penso que este caso será ponto de partida para uma luta da sociedade contra os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, contra a impunidade e a opressão que famílias de bem, cidadãos brasileiros têm vivido por estarem a mercê de uma polícia corrupta e de pessoas más, bandidos. O Estado que deveria nos oferecer todos os princípios estabelecidos em Lei, através da Constituição Brasileira (C.F. 1988), parece nada fazer mesmo diante do clamor de muitas pessoas que têm sido diariamente vítimas de pequenos ou grandes crimes, de injustiças e leviandades, de temor e insegurança. Isto está errado. E o mínimo que podemos fazer, no meu entendimento, é mostrar nossa indignação e perplexidade, trocar idéias com amigos e conhecidos, para que consigamos atingir o máximo de pessoas possível, chamando-as a enxergar que está na hora de as coisas mudarem.

Vamos lá!! Vamos rezar para as coisas melhorarem, pelos conforto das famílias atingidas diariamente, mas também para a conscientização das pessoas de que é necessário votar melhor, cobrar ações da administração pública, exigir que se valham nossos direitos legais e exercer nosso papel social. A esperança é a última que morre!

Links sobre a tragédia mencionada:

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2007/02/08/294494115.asp
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2007/02/09/294509202.asp
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2007/02/13/294552080.asp

22
Fev
07

Primeiro Desabafo sobre o Rio

Agora que resolvi escrever nesse diário on line, lembrei do meu primeiro desabafo público… ou quase. Em 18 de janeiro desse ano mandei um e-mail para a família, queria desabafar porque já estava cansada de todos os dias assistir às mesmas notícias nos telejornais do horário de almoço e fim de tarde. A repercussão, claro, gerou preocupação em nossas famílias, mas acho que de certo modo valeu, me senti mais aliviada colocando os pensamentos no papel. Eu dizia assim:

Pessoal, semana passada mandei um e-mail pra família dizendo que estava tudo bem por aqui, que não precisavam se preocupar conosco e que os casos de violência sugeridos e relatados pelos telejornais em cadeia nacional eram em parte reais e parte certo sensacionalismo das emissoras de TV. Usei o mesmo discurso com o qual tentei convencer minha sogra, em sua estada aqui no Rio de Janeiro, ressaltando que tivemos muita sorte e que somos abençoados por Deus, uma vez que moramos na zona sul, reduto da elite carioca e em especial da classe média. Mas, acho que estava vendo o copo sempre meio cheio e não meio vazio… Embora continue acreditando na máxima de que “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos/Bíblia) e ainda, acreditando que tivemos muita sorte ao vir morar num bairro bem estruturado e residencial como Botafogo, acho que agora precisamos nos cuidar mais. Mas, também não pretendo causar alardes… Levanto isso e compartilho com nossos amigos-cumpadres (que irão morar a 4 quadras de nós) porque diferente do que pensei, a violência chega sim à zona sul e não apenas através de delinquentes juvenis que cometem assaltos com mão leve e passos largos ou ainda, com facas de cozinha na mão pelas praias de Copacabana e Ipanema… agora vi que os traficantes e suas gangues descem os morros para apavorar as pessoas de bem, que como parte dos próprios moradores de favelas, só querem sustentar suas famílias e curtir a vida, mas que acabam pagando pelas disparidades e arbitrariedades da nossa sociedade. Na segunda-feira passada todo mundo viu, através das emissoras de televisão, que assaltantes ficaram à espreita, perto da 1h da manhã, na passagem da única rua que liga a zona norte à zona sul, quando o Túnel Rebouças encontra-se fechado para manutenção, o que foi o caso. Resultado: seis carros roubados, documentos, dinheiro e bolas levados após cenas de terror vividas por quem foi vítima desse assalto e olha que o policiamento extensivo sugerido pelo Governador Sergio Cabral e pelo Prefeito Cesar Maia, já estava em prática. De verdade, ainda que no dia seguinte a polícia tenha invadido o morro próximo à Gávea e recuperado os seis carros, não há como reintegrar a alma assustada e os nervos abalados de quem tinha sido vítima no dia anterior. Tudo bem… isso foi na ligação das zonas, ainda não foi em Botafogo. Assustou, mas também não foi tão perto assim, pensamos Juliano e eu. Aí ontem uma modelo e empresária gaúcha, ex-miss Brasil 1993, indo para um desfile pequeno do Fashion Rio, foi assaltada por dois rapazes de moto e bicicleta nas ruas de Botafogo, assim que saiu de sua Land Rover novinha. Resultado: foi arrastada por quase 50 metros na rua, puxada pela força da moto, enquanto os rapazes tentavam soltar sua mão da alça da bolsa. Como estava difícil, mais fácil foi esfaquear as mãos da modelo, rompendo-lhe tendões e nervos. A modelo está internada no Hospital Samaritano, próximo a nossa casa, onde foi operada hoje. E esse assalto me lembrou uma triste história, a da ex-esposa do Vice-presidente da Gerdau, que com no máximo 45 anos foi assassinada em frente à filha de 25, por um jovem que tentava assaltar seu jipe não mais blindado, numa esquina do Leblon, perto de onde morava. Ao tentar retirar relógio, entregar bolsa e celular, ela tirou o pé da embreagem e o carro morreu… o menor de idade que a assaltada, montado numa bicicleta, achou que ela tentava fugir e atirou na cabeça. Pode isso, gente?! De onde o seres humanos dessa cidade conseguem tirar tanta crueldade e indiferença pra fazer isso tudo? Eu sei que a história está macabra, mas ainda tem mais. Logo que mudamos para Botafogo, uma empresária foi encontrada morta numa caçamba de lixo, parte dela, na verdade. Empresária bem sucedida, mãe de três filhos e esposa, ela foi assassinada por um ex-detento com problemas mentais que atuava porque isso não é trabalho, há menos de 3 meses, como guardador de carros nas ruas do bairro Botafogo. O criminoso não foi com a cara dela, pediu dinheiro e não recebeu, por isso achou que estava justificado matar a senhora e cortá-la ao meio, porque foi isso que aconteceu. Seu corpo foi achado da cintura pra baixo numa caçamba de lixo da Rua Bambina e a parte de cima nunca foi encontrada. A família, que fez passeata de luto contra a violência pelo aterro do Flamengo, teve que enterrá-la assim. Resultado: em reportagem às televisões locais, o viúvo disse que levaria a família para morar fora do país. Mas, são eles que precisam sair do país?! Pai empresário, filhos adovogado, dentista e estudante de colegial devem fugir ao invés de serem recompensados de algum modo pela morte da mãe?! E hoje, infelizmente, na rua Assunção, paralela a esta Bambina, outra pessoa foi encontrada morta numa caçamba de lixo, um jovem de 25 anos com um tiro na perna direita, bem vestido, nenhum documento. Essa notícia foi dada assim, entre uma e outra, agora pouco no jornal do meio dia, canal local. Eu sei, aparentemente não podemos fazer nada e ainda, pra muitos temos que nos calar porque se tentarmos reagir com manifestações públicas (de classes menores e suas bandeiras, como sempre acontece) a gente ainda continua a mercê das ações de traficantes de armas e drogas, além da polícia corrupta que manda nesta cidade. Mas, também gente, ficar calado é tão ruim quanto ver a dor das famílias, o medo dos moradores, das próprias vítimas e saber que não se pode fazer nada! Que injusto. E tem mais, agora a moda (alerta em alguns sites e programas cariocas, em referência ao que já foi comum na década de 90) é o roubo de cabelos em ônibus públicos, linhas urbanas. Em menos de duas semanas 2 moças que tinham cabelo pela cintura já foram assaltadas em ônibus da cidade. Resultado: fica a carteira, fica o celular, mas levam embora seus cabelos. Difícil de acreditar, não é?! Tudo isso para abastecer clandestinamente os salões de beleza que cobram uma fortuna por alongamentos (megahair) das madeixas. Imagine só, daqui uns dias a gente só poderá sair de casa com cabelo preso tipo coque de crente radical. Será uma maravilha. Pelo menos, vejamos pelo lado bom, assim a gente fará como as muçulmanas de novelas da Globo (O Clone), que se punham simples e cobertas para sair nas ruas a fim de não atrair olhares de outros homens e em casa, colocavam-se bonitas, bem vestidas, penteadas e maquiadas para agradar marido e orgulhar as famílias. Quem sabe?!MAS, PELO MENOS, AINDA QUE SUJA E CAPAZ DE CONTRASTES SOCIAIS CHOCANTES, A CIDADE DO RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDA. POR ALGUNS MINUTOS, QUANDO DEIXAMO-NOS LEVAR PELAS LINDAS VISTAS QUE TEMOS DO ALTO DO PÃO DE AÇÚCAR, DO MORRO DA URCA, DA PEDRA DA GÁVEA OU DO CRISTO REDENTOR, TUDO VALE A PENA. NÃO HÁ, PELO MENOS QUE EU CONHEÇA POR ENQUANTO, LUGAR MAIS ABENÇOADO COM TANTA DIVERSIDADE NATURAL AO MESMO TEMPO. REALMENTE (NÃO É PRA PROVOCAR) MAS A ESTRUTURA GEOMORFOLÓGICA DO RIO DE JANEIRO É PERFEITA. TEMOS MONTANHAS, MUITO VERDE E MAR, COM LINDAS PRAIAS, CALOR, MUITO CÉU AZUL, TUDO AO MESMO TEMPO. EXCELENTE. E TALVEZ POR ISSO, ASSIM A GENTE VAI LEVANDO… A GENTE E AS DEMAIS PESSOAS QUE APRENDERAM, INFELIZMENTE, A ACHAR NORMAL ESSAS NOTÍCIAS QUE EU AINDA RELATO COM TANTO ESPANTO.

No próximo e-mail, não falarei de mortes, ok?! Prometo que vou me focar mais nas coisas belas, possíveis boas ações e lindas paisagens da nossa nova cidade.




 

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