Arquivo para Maio, 2007

20
Mai
07

Samui, né?!

Samui!!! Quer dizer: frio

Aprendi essa palavra em 97 quando fiz um arubaito no Japão, digo, um intercâmbio para trabalho temporário… na época coisa muito comum para jovens adolescentes que descendem de imigrantes japoneses, especialmente brasileiros. Essa e outras palavras do vocabulário japonês nunca pude esquecer, assim como a tradição, a rica cultura, os infindáveis hábitos distintos dos nossos, ocidentais. É engraçado lembrar disso!

Esta semana que se fecha hoje – domingo – foi corrida, mas especialmente bacana. Na companhia de minha irmã mais velha, cunhado e sobrinhos queridos, comemorei em São Paulo – cidade da garoa – meu aniversário de 27 anos. Sim, tudo isso!! E eu que quando criança tirava sarro dos irmãos e primos mais velhos chamando todo mundo de “vintão” e “trintão”, pois àquela época trilhar a vida pela casa dos 20 já era ser muito velho pra mim… Hoje vejo em mim mesma, em meu marido e nossos amigos queridos que ainda estamos longe do completo amadurecimento (embora no caminho certo), parecemos ainda muito jovens e não percebemos ainda nenhuma mudança mesmo que a sombra dos 30 anos comece a nos rondar. Exageros a parte, passei um dia de aniversariante agradável, recebendo o carinho dos pequenos, telefonemas das pessoas mais especiais que nunca esquecem a data e ainda, revendo fotos e histórias familiares na companhia da nessan. Haha, nessan é irmã mais velha em japonês. Parece que estou muito saudosista com as palavras japonesas, mas não, eu explico… em SP o pessoal com quem convivo fala nihongô demais… aí fico com tudo na cabeça…

A semana foi bem corrida como sempre o é quando vou a São Paulo. Fizemos passeios no Ibirapuera, andamos de bicicleta (viram como ainda estou mais pra criança?), conheci a tão famosa Rua São Caetano – a Rua das Noivas, no Bom Retiro (e que bom que casei ano passado, se tivesse conhecido a rua antes teria ficado doidinha), fiz compras no Brás (ah… meu sonho de consumo) e ainda mudei o visual no salão de uma amiga da família. Sem reclamações! Foi tudo ótimo.

E agora, cá estou eu, me sentindo uma cigana começando esta nova semana em Curitiba, cidade limpinha e querida. Em pleno início de inverno, com uma média de 10 graus e muita chuva!!! Acho que é uma forma de São Pedro brindar o meu aniversário já que eu adoro esse clima!

11
Mai
07

Sadness!! Aeroporto Tom Jobim – Galeão

Hoje era o dia em que tudo tinha que correr perefeito e foi assim em quase sua totalidade… meu marido viajou e no momento de desembarcar do carro, com as malas, esquecemos uma pequena valize, importantíssima… nem nos demos conta. Feito o check-in e já na sala de espera, enquanto ele buscava um refúgio na cheia sala de espera para o embarque, eu e um casal de amigos nos deparávamos com a tal valize no carro… ainda no estacionamento. Como qualquer pessoa de bom senso, o que pensamos? Voltar imediatamente, explicar o ocorrido, solicitar que anunciassem seu nome no microfone e aguardar instruções sobre como poderíamos entregar o material e onde.

Se você pensou que isso era o mais sensato, somos duas, mas no aeroporto do Galeão poucas pessoas são como nós. Ali funciona o “levar a vida agindo com grosseria para com todos os passageiros e clientes, a fim de justificar ou descarregar as frustrações pessoais de uma vida medíocre”.

Sério, parece indelicado da minha parte dizer isso, mas é nítido que os funcionários que nos atacam, gritam, nem sequer escutam o que dizemos, ou ignoram nossas solicitações assim, cinicamente… esses devem ser uns frustrados mesmo porque agem com tamanha falta de educação, assim, gratuitamente, sem a gente ter feito nada para merecer, mesmo não sendo nós os causadores de uma possível fúria interna que àquela pessoa possa estar vivendo…

Quem já não viveu isso seja em rodoviárias, outros aeroportos ou até no próprio Galeão que, inclusive abrigou tantas filas e conflitos nas recentes panes promovidas pelo Caos Aéreo Brasileiro?? Tenho certeza de que se uma pessoa pede qualquer informação com respeito e delicadeza o mínimo que ela merece é obter um retorno no mesmo nível, mas isso quase não mais existe nos dias atuais, em que os prestadores de serviços em geral (neste caso, de atendimento ao público) estão inertes, robotizados, limitando sua habilidade de se relacionar com outras pessoas (pelo menos no horário de expediente) e estabelecer diálogos plausíveis…
Parece que não querem te olhar nos olhos, nem ouví-lo, muito menos ajudá-lo. É o fim!

Tudo bem… antes que vc me pergunte se eu consegui entregar a valize, eu respondo: consegui. Depois de uma intervenção de meus amigos, mais calmos do que eu naquele momento e, contando com a razoável boa vontade de uma funcionária da companhia aérea… e claro… depois de muito, mas muito choro de nervosismo, sim… deu certo. E dos males o menor de todos, pois além de levar a bagagem completa, meu marido viajou dando risada da minha cara inchada e cheia de lágrimas, achando que àquilo tudo era apenas saudades antecipadas, sem saber o stress pelo qual passamos ali mesmo… no bendito aeroporto internacional do Rio de Janeiro onde, como em toda parte desta cidade, há mais gente grossa do que gentil ou bem intencionada. Mais uma lástima pra minha coleção.

É claro que morando nesta cidade, convivo com muitos cariocas e a maioria destes, da minha roda de amigos, é educado, boa gente, por isso meu desabafo não se refere às pessoas que como eu, só querem viver tranquilas… mas é sobre àquelas que não tem, realmente, nenhuma fineza, educação ou noções de civilidade, porque se tivessem eu não narraria situações como a de hoje. Vou rezar para que Deus abeçoe esta cidade porque somente assim o Rio terá chances de mudar… mas que se comece a mudança pela consciência educacional, sóciocultural e política dessa gente.

09
Mai
07

CHUVA!!!

Que delícia de dia…
Acordei cedinho hoje e quase nem acreditei quando olhei pela janela e vi… o céu cinza, nublado, quase pronto para descarregar a bela chuva que vejo agora, enquanto escrevo essa mensagem. Que delícia de dia…

Dias assim, chuvosos, me fazem lembrar de Curitiba (que hoje aliás, ouvi dizer, terá temperatura mínima prevista para 6 graus, já pensou?) onde a gente sempre pode se agasalhar bem na temporada de inverno, vestir-se de modo mais elegante e charmoso, com cores neutras para uns e uma mistura de cores para outros, em acessórios como cachecol, luvas, gorros, boinas, botas e sobretudos… hum, que saudades!

Mas, como não estou lá, vou curtindo a queda de temperatura aqui (entre 18 e 26 graus) com essa chuva forte que cai no Rio e que, pelo visto, faz apenas a minha alegria porque o resto da cidade parece estar meio de mau humor, com trânsito parado, ruas alagadas, árvores derrubadas pelo vento, gente molhada tendo que circular à pé recebendo àqueles jatos de água espirrados pelos carros e ônibus, com falta de luz em alguns lugares, acidentes…

… é, pelo visto nunca se pode fazer a alegria de todos ao mesmo tempo, não é?! Mesmo assim, agradeço a São Pedro pela chuva.

07
Mai
07

Democracia = Futebol

Ontem, fim de tarde, típica preguiça de domingo… fomos almoçojantar na Cobal do Humaitá e eis que o lugar estava lotado, também pudera: final do campeonato carioca com Flamengo versus Botafogo. Nunca tínhamos visto tantos torcedores misturados, muitos de camisa, outros apenas com alguma indicação de seus clubes, coexistindo (ou seria, compartilhando?) pacificamente no mesmo ambiente para torcer, gritar e aplaudir os acertos do seu time e os erros do adversário. Muito legal!

Os bares e restaurante da Cobal sempre colocam telões à disposição dos torcedores por toda a parte em dias de jogos, inclusive no estacionamento (que neste domingo, a essa hora estava lotado de mesas e espectadores ansiosos vestidos a caráter) e a gente ficou ali… no meio da confusão, de gritos ensurdecedores de Flamenguistas indignados com os gols do Botafogo e de Botafoguenses segurando o grito de campeão, acompanhando o segundo tempo do jogo.

A garçonete que nos atendeu era Flamenguista e compartilhava com uma das clientes, à mesa em frente a nossa, de mandingas e superstições para garantir que não sairia mais nenhum gol do Botafogo. Estavam parecendo duas loucas e eu, àquela altura, nem imaginava que “talvez” isso faria efeito mais pra frente, quando o Fogão fosse colocado à prova.

Digo isso de modo incocente, claro, porque todo torcedor que se preza “acredita” que foi a sua prece, mandinga, figas, promessas e vibrações capazes de interferir nos jogos e decisões importantes dos seus times de futebol, assim como faço eu, hehe.
Então, ontem, foram essas duas… que mesmo observadas por outros dois garçons botafoguenses e um fluminense, além dos demais clientes e de uma vasta mistura de torcedores nas mesas afora (dos outros bares), ao nosso redor, davam vasão às suas criatividades.

Fim de jogo.. 2×2 com as equipes se preparando para cobrar os pênaltis e decidir o resultado do carioca, nós corremos pra casa (literalmente) para assistir isso no conforto do nosso sofá, até com um certo receio da intensidade dos foguetórios e gritaria que partiria da Cobal naquela hora… (o que foi muito prudente da nossa parte) e, em casa vimos cobranças mal feitas dos jogadores do Fogão além de acompanhar o goleiro do Botafogo “amarrado” e precipitado fazer uma péssima atuação pulando antes dos batedores chutarem e, assim entregar o título para o Flamengo, que foi perfeito em todas as suas cobranças e saiu não só merecedor, mas campeão do Rio, em 2007.

Já dizia o ditado: “quem não faz, toma!” Enquanto isso, eu que esperava poder dizer que o meu time (SPFC) fora desclassificado nas semi-finais pelo Campeão Paulista 2007… me frustrei, pois o São Caetano não conseguiu manter seu vigor e raça, apresentado em outros jogos e, perdeu para o Santos em pleno Morumbi… antes tivesse deixado o Tricolor passar à final, que o campeão hoje seria outro…

A moral é a seguinte: futebol é mesmo uma festa e às vezes o convidado é a alegria, noutras… a tristeza. Mas o tema é sempre democrático!

04
Mai
07

Nascimento

Nasceu, no último domingo, o filho de uma amiga… fiquei sabendo ontem à tarde… saudável!!

Ultimamente vários amigos do casal e conhecidos da família vêm tendo filhos, desse modo, ficamos mais alertas aos assuntos maternais e infantis dum modo geral.

Hoje ao parabenizar essa nova mamãe, eu ponderava sobre como os bebês tem nascido grandes atualmente e como seu desenvolvimento é mais rápido ou nos chama mais a atenção do que os de antigamente. É impressionante, mas percebo que agora, no tempo da minha faixa etária ser mãe, não é apenas a tecnologia da obstetrícia que mudou (dando mais segurança, oferecendo exames mais precisos, ecografias 3D e afins), mas os bebês também mudaram, já que nascem maiores e desde os primeiros momentos parecem mais ativos e ligados ao mundo externo do que os de antes. O que vai ao encontro daquela teoria de senso comum das pessoas que conheço que diz “que as crianças de hoje em dia também não mais como as crianças de antigamente”.

Hoje elas são mais espertas, interessadas, amadurecem antes, têm uma percepção do que acontece ao seu redor e do acesso à tecnologia e a informação de um modo mais prático e paupável se comparado com as crianças de 2 ou 3 gerações passadas, incluindo nós, da faixa etária dos 25 aos 35 anos. Fico boquiaberta mesmo. Devem ser os estímulos… são tantos e o tempo todo! Uma constância tão grande de acontecimentos, incentivos, provocações, motivações que acabam acelerando o raciocínio e a interação dessas crianças com o mundo.

Imagino como serão essas crianças no mercado de trabalho e como ficará a sociedade num futuro próximo. Tomara que com essa esperteza toda e agilidade também venham bom senso, equilíbrio e solidariedade!

02
Mai
07

Mudança de Temperatura

Primeiro de Maio X Primeiro a família

Na última sexta-feira saímos do Rio de Janeiro – que mesmo num dia chuvoso típico de verão, embora estejamos no outono, mantém sua média de 30 graus – para sermos acolhidos pela graça Curitibana e seus 12 graus, ainda no aeroporto… para curtir em “casa” o feriadão do Dia do Trabalho. Curtir em casa??? Estranho dizer isso… já sentimos que o Rio de Janeiro é a nossa casa, nosso canto, nos sentimos seguros refugiados da crescente violência da cidade dentro do nosso apartamento e junto a nossos amigos migrantes (hehe). Mas, Curitiba é sempre uma segunda “casa”, afinal é onde está nossa base, nossas melhores e até piores lembranças e o mais importante, nossas famílias, por isso sempre é e será bom voltar para onde tudo começou e onde podemos nos aquecer no calor da nossa família, ainda que não seja mais o nosso lar.

Definitivamente, quando voltamos à Curitiba, a diferença de temperatura climática e comportamental é o que mais nos chama a atenção. Não sei se essa minha reflexão pode ser compreendida facilmente, por isso nem vou tentar explicar, mas ela é bastante real, talvez só morando fora para entender…

Gripados e compartilhando com todos ao nosso redor nossas queixas de dor de garganta e ouvido, passamos quatro dias atribulados, mas agradáveis apesar de tudo. Tentamos dar atenção a todos o tempo todo, é como se precisássemos repor, ou melhor, compensar o fato de não morarmos mais ali e, consequentemente a nossa ausência, para todas as pessoas. Por um lado isso é bom, pois nos força a ficar ativos, alertas, sem entrar na monotonia e nem cair na sedução do sofa com edredons, porém… por outro lado, acaba sendo ruim porque ficamos cansados e acabamos deixando as visitas contraproducentes, o oposto do que desejamos.

Fazer o quê?! A gente tenta sempre acertar, atender a todos, demonstrar nosso afeto, amizade e consideração ainda que o dia seja curto e as horas passem muito rápido, frustrando nossas programações e a dos outros… Pra quem consegue perceber a boa intenção, beleza. Para quem não, muita reflexão aí!!!

Voltando pro Rio, favelas e morros à vista, olhando pela janelinha do avião nós começamos a nos readaptar à má distribuição de renda, ao impacto da disparidade sóciocultural e econômica da população carioca e claro, à completa falta de infra-estrutura e planejamento de políticas públicas desta cidade e de seus gestores. Acaba sendo um tipo de choque “térmico” como àquele que tivemos ao desembarcar em Curitiba, em que olhando pela janela do carro – desde a saída do aeroporto – não víamos sequer um papel de bala nas ruas e calçadas, muito menos latinhas de alumínio, restos de comida, fraldas plásticas, papéis de propaganda, embalagens de comida ou afins…

Será que dá pra dizer: E viva a diferença?
Acho que não!!

Então, vivas ao Dia do Trabalhador!!!




 

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