Primeiro de Maio X Primeiro a família
Na última sexta-feira saímos do Rio de Janeiro – que mesmo num dia chuvoso típico de verão, embora estejamos no outono, mantém sua média de 30 graus – para sermos acolhidos pela graça Curitibana e seus 12 graus, ainda no aeroporto… para curtir em “casa” o feriadão do Dia do Trabalho. Curtir em casa??? Estranho dizer isso… já sentimos que o Rio de Janeiro é a nossa casa, nosso canto, nos sentimos seguros refugiados da crescente violência da cidade dentro do nosso apartamento e junto a nossos amigos migrantes (hehe). Mas, Curitiba é sempre uma segunda “casa”, afinal é onde está nossa base, nossas melhores e até piores lembranças e o mais importante, nossas famílias, por isso sempre é e será bom voltar para onde tudo começou e onde podemos nos aquecer no calor da nossa família, ainda que não seja mais o nosso lar.
Definitivamente, quando voltamos à Curitiba, a diferença de temperatura climática e comportamental é o que mais nos chama a atenção. Não sei se essa minha reflexão pode ser compreendida facilmente, por isso nem vou tentar explicar, mas ela é bastante real, talvez só morando fora para entender…
Gripados e compartilhando com todos ao nosso redor nossas queixas de dor de garganta e ouvido, passamos quatro dias atribulados, mas agradáveis apesar de tudo. Tentamos dar atenção a todos o tempo todo, é como se precisássemos repor, ou melhor, compensar o fato de não morarmos mais ali e, consequentemente a nossa ausência, para todas as pessoas. Por um lado isso é bom, pois nos força a ficar ativos, alertas, sem entrar na monotonia e nem cair na sedução do sofa com edredons, porém… por outro lado, acaba sendo ruim porque ficamos cansados e acabamos deixando as visitas contraproducentes, o oposto do que desejamos.
Fazer o quê?! A gente tenta sempre acertar, atender a todos, demonstrar nosso afeto, amizade e consideração ainda que o dia seja curto e as horas passem muito rápido, frustrando nossas programações e a dos outros… Pra quem consegue perceber a boa intenção, beleza. Para quem não, muita reflexão aí!!!
Voltando pro Rio, favelas e morros à vista, olhando pela janelinha do avião nós começamos a nos readaptar à má distribuição de renda, ao impacto da disparidade sóciocultural e econômica da população carioca e claro, à completa falta de infra-estrutura e planejamento de políticas públicas desta cidade e de seus gestores. Acaba sendo um tipo de choque “térmico” como àquele que tivemos ao desembarcar em Curitiba, em que olhando pela janela do carro – desde a saída do aeroporto – não víamos sequer um papel de bala nas ruas e calçadas, muito menos latinhas de alumínio, restos de comida, fraldas plásticas, papéis de propaganda, embalagens de comida ou afins…
Será que dá pra dizer: E viva a diferença?
Acho que não!!
Então, vivas ao Dia do Trabalhador!!!











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