Arquivo para Outubro, 2007

25
Out
07

E a chuva no Rio continua

Hoje, infelizmente, a chuva continua aqui na cidade.

Levantei às 7h para ir a um compromisso no Flamengo e até chegar lá pude sentir na pele as chateações e transtornos que essa chuva e os prejuízos de ontem estão causando a todos. Para conseguir um taxi na Rua Voluntários da Pátria, em meio a chuva, às 8horas ou seja, no horário de pico, eu precisei ir andando já que nenhum carro estava disponível… só consegui um taxi livre exatamente 14 quadras depois de ter saído de casa. E não preciso nem dizer que já estava molhada, claro. Pelo menos ganhei tempo porque o congestionamento era grande e andando eu fui mais rápido que a maioria dos carros.

Após entrar no carro, demorei mais 30 minutos pela Rua da Praia, fazendo o mesmo percurso que num dia de sol seria possível realizar em menos de 10 minutos. Ainda assim, ficamos felizes, tanto eu quanto o motorista, pois dizia ele que o trânsito hoje nem se comparava com o de ontem. Frisou que ontem nenhum taxista faturou bem, pois as poucas corridas demoraram para se finalizar, presos no trânsito e por fim, teria valido mais a pena ficar em casa…

Ah… quase esqueci… hoje conferi a situação das calçadas… realmente aqui em Botafogo, especialmente nas ruas que fazem esquinas com a Voluntários da Pátria em toda sua extensão, houve alagamento e pior, a maior parte por causa dos esgotos que transbordaram. Uma lástima, já que ninguém fica feliz de andar na rua com água poluída sendo espirrada em si após a passagem dos carros e ônibus, principalmente eu.

Whatever…

E quanto ao Túnel Rebouças as coisas continuam complicadas. Hoje, autoridades municipais e estaduais faziam picuinhas através dos veículos de comunicação jogando a responsabilidade uns para os outros e/ou especulando – com pouquíssima propriedade técnica – quando e como o Túnel seria reaberto. De acordo com o Secretário de Obras do Rio “muita terra ainda vai cair”.

A pressão popular é tanta que já se fala em reabrir parte do Túnel amanhã mesmo, mas a última informação oficial era de que isso seria feito apenas no sábado. De concreto mesmo fica a certeza de que, pelas imagens veiculadas pelas emissoras de TV, ainda há muita terra a despencar lá de cima e o perigo de algum acidente maior ocorrer caso esse Túnel seja liberado antes da contenção correta ser feita. Melhor ficarmos atentos e quem puder, conversar, usando o bom senso, com as pessoas que estão nervosinhas achando que a remoção da terra ainda não feita (pela Prefeitura) é corpo mole, pois me parece que não o é!

No site do Jornal O Globo uma equipe indica quais os melhores acessos e possibilidades para o trânsito com a interdição do Túnel.

24
Out
07

Caos em função das chuvas



LAMENTÁVEL!

A chuva que tanto esperávamos veio, mas trouxe caos, stress e angústia para muitas pessoas no final do dia de ontem e, especialmente, hoje.

O que seria uma quarta-feira tranquila virou um festival de acidentes de trânsito, congestionamento, faltas ao trabalho, vôos atrasados e/ou cancelados nos aeroportos, sustos em residências e tristeza para famílias que tiveram pessoas feridas ou levadas a óbito. Quem diria, uma simples ação da natureza causando tantos transtornos?!

O que mais chamou a atenção hoje, foi sem dúvida, o fechamento do Túnel Rebouças, principal acesso de ligação entre a zona sul e a zona norte do Rio. De madrugada a terra começou a ceder, mas foi hoje, lá por 9h da manhã, que vimos uma “cachoeira”de terra fechar a boca do túnel. Uma cena incrível, de assustar.

Como o início do túnel, pelo acesso da zona sul é aqui perto de casa, sentimos em pouco tempo o reflexo de seu fechamento. As ruas Visconde Silva (cont. Mena Barreto) e a São Clemente pararam, fazendo filas de congestionamento. E junto começou o buzinaço, que dava para ser ouvido de dentro do apartamento, mesmo com as janelas fechadas. Alguém ingênuo perguntaria: há como piorar a situação? Sim, há. O mau hábito dos cariocas de jogar lixo nas ruas, entupindo todos os bueiros (consequentemente os esgotos) sempre faz com que em dias de chuva hajam alagamentos, como é comum se ver nos meses de janeiro e fevereiro (alto verão) e hoje não foi diferente. O excesso de chuva (principal causa, claro) somado ao péssimo escoamento de água pluvial fez com que metade da cidade (sem exageros) sofresse com alagamentos. Aqui em Botafogo para se ter idéias, muitas esquinas de importantes ruas do bairro foram tomadas pela água exigindo que pedestres, para atravessá-las, tivessem que passar com água na altura dos joelhos… imagine só.

Entre os transeuntes molhados estava meu marido, de mochila nas costas, caminhando sob a chuva, mais rápido que qualquer carro se deslocaria nesse trânsito de hoje, à procura de um taxi para levá-lo ao aeroporto. Andou por mais de 13 quadras até achar um taxi e como em dias assim vale mais a Lei de Murphy, com o fechamento do Túnel Rebouças o único acesso para o Galeão foi através do Aterro do Flamengo sentido elevado… e não é que até o Aterro parou com congestionamento hoje!? Quase 2 horas depois de sair de casa, chegou lá.

É… o dia está acabando, mas as consequencias da chuva de hoje não… Passando no mercado agora a pouco, pude constatar que dos 10 caixas apenas 4 funcionavam e me dizia, muito queixosa, uma das atendentes que, as demais funcionárias não vieram porque ficaram sem condução no caminho ou com danos em casa, impedidas de ir ao trabalho. Ouvindo isso, eu que passei o dia descansando em casa, logo pensei em quantas pessoas não passaram por isso (ou coisa pior) hoje. O esquema é rezar para tudo se ajeitar em breve.

Quanto ao Túnel, diz a Prefeitura do Rio que só será reaberto no sábado…

16
Out
07

Cresce a população de rua no Rio


Quem não se incomoda de ver pessoas dormindo nas calçadas?! Se alguém disser que passa indiferente a essas tristes cenas, cada vez mais comuns no meio urbano, ou estará mentindo ou é de fato cego e não pôde constatar mais um exemplo de disparidade sócio-econômica do nosso país.

Aqui perto de casa, em Botafogo, temos a Cobal – Companhia Brasileira de Alimentos – ou mais popular como reduto de bares e feira livre no pólo gastronômico de Botafogo, onde o pessoal vai para fazer um happy hour, fazer refeições até em família, curtir alguns jogos de futebol pelos telões dos bares, escutar um show de chorinho, bater papo e curtir o calor à noite apreciando a vista do Cristo Redentor, logo acima de suas cabeças… Enfim, um ótimo lugar pra encontrar os amigos.
Da nossa casa até lá é literalmente um pulinho, mas para concluir esse pulinho a gente esbarra nos moradores de rua, deitados ou sentados nas calçadas, cheirando cola, fumando maconha e/ou muitas vezes, preparando as embalagens de suas vendas da noite. Sinceramente, neste caso, onde também há duas pré-escolas próximas a Cobal do Humaitá, fica difícil aceitar que os “mendigos”, “indigentes” ou “homeless” continuem onde estão. Quando mudei pra cá, 1 ano atrás, eles apareciam eventualmente, provavelmente oriundos da Favela Dona Marta, há umas 5 quadras da Cobal, mas nos últimos 2 meses estão em família, reunidos nas imundas calçadas aqui do bairro. Semana passada, perplexa por ter checado de perto, às 7h50 da manhã que inclusive um menino aparentando 3 ou 4 anos dormia com os pai na calçada, comentei com alguns moradores conhecidos e com o porteiro do meu prédio a sensação de frustração que sinto por não poder ajudar, nem interferir nesta triste realidade. O porteiro me respondeu, em curtas palavras: “essa gente tem que apanhar, mandar sumir com elas daqui. Eu mesmo já pedi aos lixeiros (do caminhão de lixo da cidade) que amanhã joguem baldes de água nessa gente, pra ver se desistem de ficar por aqui”. Não preciso nem dizer que fiquei boquiaberta com o que escutei!
Entrei em casa, após minha caminhada e, fucei – literalmente – em todas as páginas das Secretarias de Estado de Assistência Social e Municipal, sites da Prefeitura do Rio, do RJTV entre outros, atrás de orientações sobre como proceder nesses casos. Lembro bem que lá em Curitiba, há um programa de resgate social para moradores de rua além de abrigos, especialmente quando há situação de abandono ou exploração envolvendo crianças nas ruas, mas aqui no Rio não há medidas assim. Existem abrigos, mas como fazer com que o indigente se mova até lá? Eu teria que levá-los? A Prefeitura não providencia a locomoção e conta ainda com o fato de que a iniciativa partiria dos próprios indigentes, já que seriam eles os maiores interessados. Mas seriam mesmo? Acho que mais interessados estamos nós, da classe média, insatisfeitos por pagar impostos, por pagar um alto custo de vida para manter um padrão de qualidade de vida que, neste caso, por exemplo, é jogado no lixo quando temos que passar a conviver com adultos e crianças dormindo nas calçadas em frente a nossos prédios, urinando e defecando nas mesmas, se alimentando dos lixos que saem de nossas casas e ainda, fazendo exacerbar nossa angústia e revolta com tantas disparidades sociais impostas a nós diariamente…
1 semana depois desse meu desabafo no meu diário pessoal e de muitas conversas sobre o assunto com meu marido, assistimos ontem uma reportagem na televisão, que abordava exatamente este tema. Infelizmente ela aponta o problema, como eu, mas não implica em como resolver a questão. Segue abaixo:

Do G1, no Rio, com informações do RJ TV

De acordo com relatório da prefeitura, número aumentou de 1.682 para 1.932 em um ano. No Centro e em Madureira o crescimento foi de 40%.

Pelo segundo ano consecutivo, a prefeitura do Rio contou a população de rua em vários bairros da cidade e constatou um aumento de 250 moradores de rua. O número em 2006 era 1.682. Em 2007, foram encontrados 1.932 desabrigados vivendo em calçadas, praças e até monumentos da cidade. O crescimento estaria concentrado na Zona Norte e no subúrbio.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, no Méier, no subúrbio do Rio, e na Zona Sul, o número de pessoas que dormem nas ruas diminuiu. Mas em áreas como o Centro e Madureira, cresceu quase 40%.

O levantamento da prefeitura também traçou o perfil desses moradores. A maioria é de homens entre 25 e 64 anos de idade, dos quais 40% são da capital e 15%, de outras cidades do estado. Muitos dormem nas ruas porque estão desempregados ou porque tentam, na madrugada, conseguir algum dinheiro para sobreviver.

Falta de abrigos é problema

O paulista José Aristeu, que é viúvo e está doente, tenta uma vaga nos abrigos da prefeitura que garantem permanência durante o dia e a noite. “Eu trabalhava, mas agora não tenho onde ficar e nem como trabalhar. Onde deixar a roupa? Onde dormir?”, lamenta o morador de rua.

O desempregado de 49 anos, João Batista, está desabrigado e lamenta a falta de ajuda. “Tinha um abrigo, mas era abrigo de pernoite. E pernoite é só para dormir, de noite. De dia, o cara fica na rua”, explica.

O secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, diz que a prefeitura precisa ampliar o número de abrigos, mas defende a criação de uma agência metropolitana para cuidar do problema e encontrar soluções. Em 2005, estado e município discutiram a criação de um consórcio para evitar que pessoas de outra cidades passassem a morar nas ruas do Rio, mas o projeto não foi em frente.

Trabalho pode ser solução

O secretário pretende ampliar o número de vagas no Centro do Rio com hotéis para famílias com crianças e trabalhar pela oferta de emprego à população de rua. Garcia citou a Comlurb como parceiro para projetos de inclusão social, como a criação de um galpão para catadores de papel e latinhas, onde os trabalhadores também poderiam dormir.

“O problema a gente conhece. A gente quer uma reunião para discutir como é que cada ator desta Região Metropolitana vai agir em relação ao problema da população de rua nos grandes centros”, afirma o secretário.

A assistente social da secretaria estadual de Ação Social, Andrea Mayer, acredita que é viável a criação de um consórcio coordenado pelo estado. Segundo Mayer, desde o início da atual gestão da secretaria, foram retomadas as reuniões com os municípios que integram a Região Metropolitana do Rio para criar uma ação intermunicipal de atendimento à população de rua. A assistente social informou, ainda, que a secretaria planeja passar a administração de abrigos e fundações para os municípios.

Ajuda por telefone

A prefeitura informou que os moradores de rua que quiserem buscar ajuda podem ligar para (21) 3973-3800 ou, ainda, a cobrar para o celular (21) 9923-0966. Estes telefones também podem ser usados para denunciar a exploração de crianças nas ruas ou em sinais de trânsito pela cidade.

16
Out
07

Dias de calor

Faz dias que não escrevo em lugar nenhum… digo, nenhum diário, físico ou virtual. Desde minha mais especial notícia, a gravidez, eu deixei de publicar as novidades ou minhas opiniões na internet, primeiro por zelo, depois por preguiça. Fiquei muito preguiçosa nessa fase de tantos efeitos colaterais, hehe.

Hoje está muito calor aqui no Rio, 34 graus. Todas as janelas de casa abertas e mesmo assim uma sensação de falta de vento, de mormaço, na verdade, uma prévia do que o verão promete para a temporada de 2008. Quando eu paro e penso nesse calor todo, fatalmente eu lembro daquela hiena de desenho animado (não lembro o nominho dela), que dizia: Ó Vida, Ó azar!

Não que o clima quente seja sinal de azar, mas quando ele vem sozinho, sem chuvas, baixando a umidade do ar e ainda, ajudando a provocar inchaços e baixar a pressão arterial, aí não há como evitar as reclamações sobre ele. Durante o dia a gente suporta o sol e o calorão, cada um na sua, muitos com ar condicionado no trabalho, outros correndo de um lado pro outro e tomando o que vier pela frente, outros se refrescando com um chopp gelado – hummm – ou diminuindo o tamanho e comprimento das roupas… Agora, à noite, parece que não só eu, mas a maioria das pessoas desejaria mesmo é “teletransportar-se” para terras mais geladas. Como não é possível, agradecemos a quem inventou ar condicionado, ventilador, umidificador de ar e aparelhos semelhantes, pois eles salvam nossa pele literalmente.

E ainda no primeiro mês da primavera, cabe a nós apenas saudar a chegada breve do verão. E claro, manter a consciência de que temos que economizar água, pois muitos bairros das grandes cidades e alguns municípios inteiros até, já estão sofrendo com a falta dela.




 

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