Até que enfim São Pedro ouviu minhas orações e a chuva veio amainar o calor excessivo que imperava aqui no Rio. Felizmente pra mim que estou bem protegida em casa, eu sei e que com a chuva pude dormir melhor e ainda apreciar o delicioso som dos pingos batendo no ar condicionado, mas desastroso e sofrido até para moradores da baixada fluminense…
Desde às 7h30 estou acompanhando, pelos noticiários, os estragos que a forte chuva trouxe para regiões sem saneamento básico adequado, regiões baixas, com ruas não asfaltadas e afins. Claro que vendo os testemunhos das pessoas a gente se sensibiliza, afinal, ver o sofrimento dos outros – mesmo que desconhecidos – dá dor no nosso coração também, mas às vezes me pergunto se o “castigo” não seria apenas conseqüência do “pedido” feito por essas mesmas pessoas. Explico: aqui no Rio não há nenhuma consciência ambiental ou sócio-ambiental, nem em relação à higiene. As pessoas jogam muito lixo na rua, muito mesmo, sem pudores. Além disso, é comum ver as pessoas realizando necessidades fisiológicas na rua também e claro, tanto em bairros do subúrbio quanto nas encostas de morros (por onde se erguem quase todas as favelas) os lixos residenciais, mesmo que haja captação de lixo pela Prefeitura nesses locais. Quer dizer, a galera joga o lixo na rua, entope bueiros, permite e intensifica-se a proliferação de bichos e insetos, contribui-se para o mau cheiro, aí vem as chuvas e por conseqüência, os pequenos alagamentos, as grandes enchentes (mais comuns no verão) e o desespero… Esse mesmo que vejo hoje pelos jornais. Tem cabimento isso que perguntei acima? Acho que sim. Enquanto as pessoas não pararem de jogar lixo na rua, elas continuarão tendo casas alagadas, ruas transbordando, lixo navegando por todo o lado, gente doente e afins.
Só de curiosidade, eu logo que mudei para cá, cheguei a presenciar uma pessoa jogando uma fralda plástica usada pela janela do carro, em movimento. Não precisei ir longe para ver isso, foi na Rua Lauro Muller sentido entrada para o Aterro do Flamengo, em Botafogo, bem ao lado de uma das sedes da UFRJ. Eu já tinha visto fraldas e outras coisas ligadas à higiene boiando no mar ou jogadas no chão, aqui e em outras cidades, mas arremessada pela janela dum carro, nunca. Fiquei tão perplexa que sempre reconto essa historia às pessoas que conheço e em geral, as pessoas me olham com cara de “tá brincando?”. Mas não estou.
Nessas horas volto a comparar a cidade, o povo e os hábitos culturais dessa gente tão miscigenada, tão brasileiramente misturada que fazem do Rio um lugar tão característico, atraente e paradoxo, com a cidade de Curitiba, que há décadas possui ações governamentais ligadas a consciência sócio-ambiental, programas de reciclagem de lixo, educação para tal e para o trânsito (importante citar) e que por isso tudo faz da cidade um ambiente mais agradável para se viver. É claro, mesmo sabendo eu que poderia ser muito melhor e que ainda existem diversos problemas, especialmente nos bairros mais afastados do centro e na RMC… Eu nem atrevo-me a dizer que lá as coisas são perfeitas, mas se o Rio fosse o que Curitiba é hoje, aí sim – NUNCA – ninguém lhe tiraria o posto de Cidade Maravilhosa.
Voltando à chuva, vamos esperar que ela diminua para evitar mais estragos, mas que continue refrescando.

















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