Escrevi este texto para mandar para o site Desabafo de Mãe… resolvi participar lá com experiências minhas que podem ajudar outras mães…
Meu filho tem refluxo e agora?
Meu filho tem refluxo esofágico e está com seis meses, mas mesmo tendo enfrentado uma série de dores de cabeça e cuidados extras até agora, por causa disso, pensei em escrever para o Desabafo de Mãe apenas hoje, pois o assunto entrou “em pauta” com o caso recente da morte do menino Gabriel, sete meses, numa escola infantil da zona norte de São Paulo, na última sexta-feira. Como muitas outras mães, Brasil afora, eu me senti chocada e solidária aos pais de mais um anjinho que se foi. Um casal jovem, assim como eu e meu marido e que muito provavelmente sempre teve cuidados com seu bebê, mas que por uma fatalidade se vê diante de um quadro que obviamente nenhum pai espera ou deseja…
Enfim. O meu filho teve o refluxo esofágico diagnosticado com 10 dias de vida. Nasceu com 38 semanas, saudável e mamou dentro das primeiras 3 horas após o parto. Fazia a sucção perfeitamente, recebeu bem o colostro e o leite começou a “descer” bem dois dias após o parto (cesárea). Em todas as vezes que ele mamava, sem exceções, ele regurgitava grande quantidade de leite, às vezes engasgava e muitas vezes queria mamar mais para compensar e/ou para ter a sensação de saciedade, estômago cheio. Ele terminava de mamar e às vezes no caminho entre colocar seu corpinho em pé próximo ao meu peito, para que arrotasse, já regurgitava bastante, fazendo poças, molhando bem minha roupa. Noutras vezes o fazia assim que ficasse encostado no ombro e, não foram raras as ocasiões em que chegou a regurgitar deitado mesmo enquanto ainda soltava o bico do seio, ao que víamos o leitinho escorrendo pelo canto da boca em direção ao chão. Imaginem o desespero de uma mãe de primeira viagem, vendo tudo sem saber se isso era normal e como deveria agir. Nessa hora a ajuda e orientação de um bom profissional são a melhor saída e o melhor consolo. O pediatra que estava acompanhando-me desde o final da gestação nas consultas tira-dúvidas e no dia do parto, um excelente profissional e com muitos anos de experiência, nos orientou a evitar que o Caio (meu filho) ficasse com o estômago assim tão cheio, colocá-lo na posição “em pé recostado no peito” para arrotar de 10 a 15 minutos ainda que ele tivesse dormindo mamando (o que é comum em recém nascidos), sempre deitá-lo de lado no berço, manter o colchão inclinado uns 30 cm (há colchões próprios para refluxo, mas nós usamos um livro grosso embaixo no colchão para incliná-lo), optar por travesseiros (tb há os próprios para o caso) mais altos para deixar o peito e cabeça realmente numa altura superior ao resto do corpinho, evitar deixá-lo de barriga pra cima ou para baixo e sempre que estivesse acordando, de preferência, colocá-lo no bebê conforto, sentado, ou no carrinho também inclinado a fim de, com as posições certas, ajudar a manter o leitinho lá dentro.
Minha maior dúvida quando fomos nas duas primeiras consultas (com 10 e 30 dias) foram se o refluxo era uma patologia, um problema de saúde grave que nunca seria resolvido ou se era algo temporário, típico de uma fase dos bebês. Como para mães exaustas com um bebê recém nascido em casa, cada dia parece uma eternidade, eu tinha medo de ouvir a resposta mesmo que fosse “durará um mês ou a vida toda”… mas enfim, tínhamos que saber tudo para aprender a cuidar do Caio e preservar sua saúde, seu desenvolvimento. Para confirmar o refluxo ele fez uma ultrassonografia do estômago (com 1 mês) onde vimos que havia mesmo pequena abertura permanente do esfíncter da boca do estômago permitindo que o leite subisse, voltasse. É uma dificuldade que ele terá a vida toda, mas irá se atenuar conforme a alimentação for sendo modificada, assim como hábitos alimentares e de rotina, até mesmo para dormir. Em bebês pequenos, quando se alimentam exclusivamente do leite materno, o leite tende a voltar mais (esta foi a orientação que tive), pois esse leite tem uma textura muito fina, líquida, o que acontece em menor quantidade quando já se está utilizando o leite artificial ou os alimentos pastosos. Mesmo assim, mães, devemos continuar dando o peito, leite materno é sempre o ideal. Na fase do diagnóstico do Caio ouvi muitos conselhos dizendo para eu deixar de amamentá-lo no peito, inclusive de médicos, mas foi tudo bobagem. Continuei. Hoje ele tem 6 meses, 68 cm e 9kg200, mesmo com os contínuos vômitos ocasionados pelo refluxo. Aliás, isso foi dica do pediatra e é bom frisar. Se o seu bebê mesmo regurgitando muito, pelo refluxo, está ganhando peso isso é o que importa, ele está bem. O resto, como dores causadas pelo suco gástrico que volta do estômago junto com o leite e machuca o esôfago, choros conseqüentes disso, irritação ou mesmo a freqüência das regurgitações, tudo isso podemos controlar com o uso de medicamentos próprios (no nosso caso, Label – ranitidina, mesma base do omeprazol – e Peridal ou Motilliun – domperidona), que aliviam a dor, mau estar e facilitam a digestação, esvaziamento do estômago. Além disso, a partir do momento que a mãe está alerta para a presença do refluxo e aprende como agir, tudo muda. Gradativamente a gente vai ficando mais calma, começa a compreender melhor o ritmo do filho e mesmo com toda a vigilância que se faz necessária, vamos aceitando melhor a situação e a rotina dos cuidados, horários de remédios e afins. E é bom os avós, tios, escola, quem ajudar nos cuidados do bebê estarem a par de tudo para evitar sustos.
Confesso que durmo tranqüila porque o Caio dorme comigo e meu marido, mas por uma série de razões que não apenas o receio de afogamento à noite por causa do refluxo e claro, porque com o seu crescimento, os regurgitos estão diminuindo consideravelmente e tudo aponta para uma infância tranqüila livre de remédios de uso contínuo. Ressalto que devemos sempre ficar observando, especialmente se o bebê dormir no berço sozinho, como o Caio faz durante o dia, mas mesmo vigilantes a gente consegue ser feliz e no final das contas o refluxo não é um bicho de sete cabeças!











Olá,
Estou com uma bebê de 1 mês, já diagnosticamos o refluxo gastroesofágico, mas que parece ser fisiológico.
Ela está medicada, mas parece que os remédios (Label e Peridal) a deixam desconfortável e agitada, além do que ela se espreme o tempo todo parecendo que não consegue eliminar os gases.
Fico muito agitada e nervosa com tudo isso, espero chegar a minha vez de ver tudo isso com calma e alívio.
Abraços
Cínthia, sinto muito… mesmo… sei como as mães ficam nervosas ao ver o bebê chorando e “parecendo” que está sofrendo. A gente se angustia porque quer eliminar a dor e o incômodo do bebê, não é?! Mas, respire fundo. Apesar da pouca experiência que tenho, mas principalmente pelo que tenho lido, creio que ela está acumulando a irritação do refluxo com os gases e cólicas normais do primeiro trimestre da vida do bebê. Os banhos morninhos seguidos de massagem diária (no corpinho todo) ajudam a relaxar o bebê e melhoram as cólicas, consequentemente essa “expremeção” toda. Já o refluxo… tem que esperar a ajuda do tempo, da adaptação de sua bebê aos remédios e tentar manter sempre as posições indicadas. Agora, se vc estiver perto do desespero, com vontade de chorar por ver os regurgitos e stress da bebê, acalme-se e acredite que logo tudo melhorará. E vc precisa estar calma para passar serenidade pra ela, sempre. Boa sorte!!!
P.S. eu respiro fundo e ainda faço tudo isso ate hoje! Agora, mais descolada. Um abraço.