Comecei esta semana decidida a realizar duas coisas, identificar meu filho junto a Lei… fazer-lhe o registro geral de nascimento (RG) e o cadastro de pessoa física (CPF), pois ele só tinha até então a certidão de nascimento para identificá-lo e provar seu parentesco conosco nos passeios e constantes viagens inter-estaduais que fazemos. Com mãe adovogada e dona de uma personalidade muito politicamente correta e metódica, lá fui eu correr atrás disto.
Para fazer o CPF apenas recorri a uma agência dos Correios, pessoalmente, levando a certidão de nascimento para preenchimento de formulário eletrônico, informando endereço, telefone e pagando taxa de 5,50. Pronto. Demorou menos de 10 minutos e o documento será entregue em casa, via Correios, dentro de 25 dias. O atendimento, na agência próximo a minha casa, foi rápido e saí muito satisfeita, mais ainda porque mesmo sem o cartão de CPF em mãos, se necessário, consultando pelo site da Receita Federal, posso já ter o número e acompanhar o processo de confecção.
Já o RG… que novela longa, chata e feia!!! Mesmo tendo muito preconceito contra o trabalho de prestadores de serviços aqui no Rio e claro, com o serviço prestado pelas instituições públicas em geral, eu fui de coração aberto (e sem garras) até uma sede do Instituto Félix Pacheco, junto a Polícia Civil do Rio, fazer a tal carteira… fomos, aliás, Caio e eu, muito felizes sob sol de 30 graus, nesta tarde. No site da Polícia Civil opção documentações, havia indicação do endereço… assim como no site do RJTV - jornalismo da Globo local – em dicas sobre documentações… ou seja, fui ao local indicado com os documentos necessários, foto e afins. Chegando lá, eis que um senhor de meia idade me olha e (resumindo) diz:
· Você é policial? Ou parente de policial?
· Não, nem uma coisa nem outra. (Foi minha resposta). E de pronto ele disse:
· Então não posso fazer o documento pra senhora, aqui só atendemos familiares de policial… virou de costas e foi se coçar (com o perdão da expressão).
· Como assim (eu disse), só o fato de ser uma cidadã, pessoa física, querendo fazer o documento do meu filho não é suficiente? E se eu fosse parente de policial… isso é ser mais do que qualquer outra pessoa? Por que parentes de policial civil tem regalias, lugares e atedimentos especiais? Que história é essa?
· Senhora, nada posso fazer… a senhora vá embora, pois eu só obedeço regras e aqui a gente privilegia parentes de policiais sim… disse o funcionário começando a elevar o tom de voz.
· Tudo bem, meu senhor, mas eu li no site da Secretaria de Segurança que aqui é um posto de atendimento do Instituto Felix Pacheco, que aqui se faz a documentação que eu preciso e nada dizia sobre parentesco com um ou outro, portanto quero ser atendida e somente sairei daqui quando tiver o protocolo do RG em mãos ou quando o senhor me provar porque não pode fazer para mim?
· Não vou fazer, a senhora que espere minha colega que trabalha aqui há mais anos ou, nosso chefe, pois eles vão repetir a mesma coisa.
· ok (eu disse) então vou esperar mesmo porque ou o senhor, que obviamente, não está fazendo nada não quer me atender por má vontade ou há um equívoco do serviço público aqui e eu não aceito isso.
Mesmo sem saber quanto tempo demoraria, resolvi esperar e lá fiquei 10 minutos até que uma senhora bem atrapalhada, simples pra caramba e muito risonha entrou e foi logo fazendo brincadeiras com o Caio… pra sorte minha… logo depois, o senhor disse que era com ela que eu deveria falar. E ela, depois de ouvir tudo que eu disse, tornou a dizer a mesma coisa… que ali eles (funcionários? Aspones) convencionaram que só iriam atender familiares e policiais, pois era menos trabalho, ficou acertado assim e quaisquer outros interessados deveriam ir nos demais postos de indentificação. Ah… rodei a baiana! E confesso, me fiz de ingênua tb alegando conhecer pouco a cidade e ser difícil sair pra lá e pra cá com um bebê preso ao meu canguru (ops, isso não é ingenuidade, é uma verdade genuína)! Depois de insistir e alegar que gostaria então de recorrer a Corregedoria da Policia Civil ou ler as disposições internas do órgão sobre o que me diziam, ela cedeu. Disse que iria fazer, mas para eu não comentar nada e que faria isso porque o bebê era pequeno, ficou com pena… cedeu resmungando, mas eu aceitei.
Sabem, eu poderia ter ido em outro posto, na zona norte, Niterói ou outras localidades, poderia ir em outro dia já que não tinha pressa, mas fiquei tão perplexa em ver como as coisas são feitas, com o descaso do primeiro funcionário que me atendeu… que bati o pé mesmo e, agora, daqui a 25 dias o RG do meu pequeno estará pronto. Resumindo foi isso que aconteceu… no meio do caminho, a mesma senhora me mandou 2 vezes ao fotógrafo do outro lado da rua refazer as fotos 3×4 pois ela não estava gostando do close de rosto das que tiramos antes, puxava impaciente os dedinhos do Caio para carimbá-los e depois quase ralou a mãozinha do Caio ao tentar (sem me ouvir que não o fizesse) limpar as mãos do pequeno com um papel grosso, seco… enquanto em minhas mãos estavam as toalhinhas umedecidas Johnson’s… Mas essa parte até considero que foi mais mau-jeito, mais coisa de gente desastrada e rude mesmo do que má vontade.
Chato mesmo foi o fato de este dia não ter sido como eu imaginei. Como mãe zelosa (e leoa) e como romântica que sou, achei que levar meu bebê para fazer os documentos seria algo super legal, uma história gostosa, um dia perfeito… e não foi, mas dos males o menor, pelo menos essa confusão toda me rendeu uma história… que, com certeza, vou repetir para meu filho quando ele puder entender. E a foto? Os meus sogros devm estar se perguntando… gente, levei a máquina, mas com tamanha correria e stress, não rolou registrar os dedinhos sujos do Caio. Sorry! E mãe, dessa vc vai gostar, quando eu saí de lá – 2horas depois – os dois funcionários ja tinham me mostrado fotos dos netos, contado causos da vida e se despediram com um “vá com Deus”.
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