22
Ago
08

Limites: reflexão sobre pais e filhos

Um amigo enviou a nós este texto que marca, pra ele e sua família, o começo de uma nova fase. Pode não ser verdade absoluta na psicologia das famílias, mas este texto nos leva a refletir sobre a postura e relacionamento entre pais e filhos atuais. 
              
 Somos as primeiras gerações de pais  decididos a não repetir com os
 filhos os erros de nossos  progenitores.
 E com o esforço de abolir os abusos do  passado, somos os pais mais
 dedicados e compreensivos mas, por outro  lado, os mais bobos e inseguros
 que já houve na história.
 O grave é que estamos lidando com  crianças mais ‘espertas’, ousadas,
 agressivas e poderosas do que  nunca .
 Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais  que queríamos ter,
 passamos de um extremo ao outro.
 Assim, somos  a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a
 primeira  geração de pais que obedecem a seus filhos…
 Os últimos que  tiveram medo dos pais e os primeiros que temem os filhos.
 Os  últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem
 sob o jugo dos filhos.
 E, o que é pior, os últimos que  respeitaram os pais e os primeiros que
 aceitam (às vezes sem  escolha…) que nossos filhos nos faltem com o
 respeito.
 À medida  em que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos
 das relações familiares mudou de forma radical, para o bem e para o mal.
 Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se
 comportavam bem, obedeciam suas ordens e os tratavam com o devido
 respeito.
 E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais. Mas, à
 medida em que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos
 foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais  são aqueles que conseguem que
 seus filhos os amem, ainda que pouco  os respeitem.
 E são os filhos quem, agora, esperam respeito de  seus pais, pretendendo
 de tal maneira que respeitem as suas idéias,  seus gostos, suas
 preferências e sua forma de agir e viver.
 E,  além disso, que os patrocinem no que necessitarem para tal  fim.
 Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais  quem têm que
 agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso,  como no passado.
 Isto explica o esforço que fazem hoje tantos  pais e mães para ser os
 melhores amigos e ‘dar tudo’ a seus  filhos.
 Dizem que os extremos se atraem. Se o autoritarismo do  passado encheu os
 filhos de medo de seus pais, a debilidade do  presente os preenche de
 medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e  perdidos como eles.
 Os filhos precisam perceber que, durante a  infância, estamos à frente de
 suas vidas, como líderes capazes de  sujeitá-los quando não os podemos
 conter, e de guiá-los enquanto não  sabem para onde vão.
 Se o autoritarismo suplanta, o  permissível sufoca .
 Apenas uma atitude firme, respeitosa,  lhes permitirá confiar em nossa
 idoneidade para governar suas vidas  enquanto forem menores, porque vamos
 à frente liderando-os e não  atrás, os carregando e rendidos à sua
 vontade.
 É assim que  evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e
 tédio  no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem
 parâmetros nem destino.
 Os limites abrigam o indivíduo.

Monica Monasterio  (Madrid-España)

Texto utilizado em Curso da PUCPR/Salas de Curso/Curitiba/Graduação


2 Respostas para “Limites: reflexão sobre pais e filhos”


  1. 22 22UTC Agosto 22UTC 2008 às 8:49 pm

    Não podia concordar mais. Com a falta de limites com que vemos essa geração atual crescer, e com a importância do limite. O pulo-do-gato, que ao mesmo tempo é nosso grande desafio, é encontrar o equilíbrio, impondo limites de forma saudável e sem cometer os erros do passado.
    Essa é uma luta dia´ria, já estou vivenciando isso. Vc já já chega lá…
    beijo
    Renata

  2. 2 Tiffany
    28 28UTC Agosto 28UTC 2008 às 6:51 pm

    Renata, eu fiquei refletindo sobre este texto e escrevi ao amigo que me enviou… são de fato os filhos a razão de toda a nossa insegurança, medo e desejo. Com os filhos amadurecemos de verdade. E é pelos filhos é que a gente levanta cedo depois de uma noite mal dormida, mas pronto para enfrentar o que vier, por eles estamos desejando um mundo melhor, uma sociedade mais consciente de seus deveres, pronta para exigir seus direitos, é por eles tb que duplicamos nossas orações rogando a Deus que nada lhes aconteça e nem a nós, já que precisamos provê-los e ampará-los. O desejo de dar amor, ensinar, vivenciar com eles as dificuldades e as maravilhas da vida (essas muito mais) é tanto, que dá mesmo medo que eles não nos queiram por perto, que não nos aprovem ou que nos julguem mais do que gostaríamos (como, com certeza, já fizemos com nossos pais)… por isso, a vontade de ser melhor a cada dia, acertar, oferecer mais, de querer equilibrar tudo… ela existe e de nós exige tanto.
    Da pouca experiência que tenho até aqui, posso dizer que todos os dias e horas com nossos filhos são desafiadores, parece que eles aprendem algo novo – literalmente – a cada minuto e de repente irão nos ultrapassar, sempre querendo mais. Mas acho que o mais preocupante será, não acompanhar esse processo todo, mas conseguir se manter proximo quando sairem debaixo das nossas asas, Meus Deus… que demore bastante, acho que a maioria dos pais deve pensar isso…


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