Arquivo para Agosto 29th, 2008

29
Ago
08

CPF e RG… duas histórias…

Comecei esta semana decidida a realizar duas coisas, identificar meu filho junto a Lei…  fazer-lhe o registro geral de nascimento (RG) e o cadastro de pessoa física (CPF), pois ele só tinha até então a certidão de nascimento para identificá-lo e provar seu parentesco conosco nos passeios e constantes viagens inter-estaduais que fazemos. Com mãe adovogada e dona de uma personalidade muito politicamente correta e metódica, lá fui eu correr atrás disto.

 

Para fazer o CPF apenas recorri a uma agência dos Correios, pessoalmente, levando a certidão de nascimento para preenchimento de formulário eletrônico, informando endereço, telefone e pagando taxa de 5,50. Pronto. Demorou menos de 10 minutos e o documento será entregue em casa, via Correios, dentro de 25 dias.  O atendimento, na agência próximo a minha casa, foi rápido e saí muito satisfeita, mais ainda porque mesmo sem o cartão de CPF em mãos, se necessário, consultando pelo site da Receita Federal, posso já ter o número e acompanhar o processo de confecção.

 

Já o RG… que novela longa, chata e feia!!! Mesmo tendo muito preconceito contra o trabalho de prestadores de serviços aqui no Rio e claro, com o serviço prestado pelas instituições públicas em geral, eu fui de coração aberto (e sem garras) até uma sede do Instituto Félix Pacheco, junto a Polícia Civil do Rio, fazer a tal carteira… fomos, aliás, Caio e eu, muito felizes sob sol de 30 graus, nesta tarde. No site da Polícia Civil opção documentações, havia indicação do endereço… assim como no site do RJTV - jornalismo da Globo local – em dicas sobre documentações… ou seja, fui ao local indicado com os documentos necessários, foto e afins. Chegando lá, eis que um senhor de meia idade me olha e (resumindo) diz:

·         Você é policial? Ou parente de policial?  

·         Não, nem uma coisa nem outra. (Foi minha resposta). E de pronto ele disse:

·         Então não posso fazer o documento pra senhora, aqui só atendemos familiares de policial… virou de costas e foi se coçar (com o perdão da expressão).

·         Como assim (eu disse), só o fato de ser uma cidadã, pessoa física, querendo fazer o documento do meu filho não é suficiente? E se eu fosse parente de policial… isso é ser mais do que qualquer outra pessoa? Por que parentes de policial civil tem regalias, lugares e atedimentos especiais? Que história é essa?

·         Senhora, nada posso fazer… a senhora vá embora, pois eu só obedeço regras e aqui a gente privilegia parentes de policiais sim… disse o funcionário começando a elevar o tom de voz.

·         Tudo bem, meu senhor, mas eu li no site da Secretaria de Segurança que aqui é um posto de atendimento do Instituto Felix Pacheco, que aqui se faz a documentação que eu preciso e nada dizia sobre parentesco com um ou outro, portanto quero ser atendida e somente sairei daqui quando tiver o protocolo do RG em mãos ou quando o senhor me provar porque não pode fazer para mim?

·         Não vou fazer, a senhora que espere minha colega que trabalha aqui há mais anos ou, nosso chefe, pois eles vão repetir a mesma coisa.

·         ok (eu disse) então vou esperar mesmo porque ou o senhor, que obviamente, não está fazendo nada não quer me atender por má vontade ou há um equívoco do serviço público aqui e eu não aceito isso.

 

Mesmo sem saber quanto tempo demoraria, resolvi esperar e lá fiquei 10 minutos até que uma senhora bem atrapalhada, simples pra caramba e muito risonha entrou e foi logo fazendo brincadeiras com o Caio… pra sorte minha… logo depois, o senhor disse que era com ela que eu deveria falar. E ela, depois de ouvir tudo que eu disse, tornou a dizer a mesma coisa… que ali eles (funcionários? Aspones) convencionaram que só iriam atender familiares e policiais, pois era menos trabalho, ficou acertado assim e quaisquer outros interessados deveriam ir nos demais postos de indentificação. Ah… rodei a baiana! E confesso, me fiz de ingênua tb alegando conhecer pouco a cidade e ser difícil sair pra lá e pra cá com um bebê preso ao meu canguru (ops, isso não é ingenuidade, é uma verdade genuína)! Depois de insistir e alegar que gostaria então de recorrer a Corregedoria da Policia Civil ou ler as disposições internas do órgão sobre o que me diziam, ela cedeu. Disse que iria fazer, mas para eu não comentar nada e que faria isso porque o bebê era pequeno, ficou com pena… cedeu resmungando, mas eu aceitei.

 

Sabem, eu poderia ter ido em outro posto, na zona norte, Niterói ou outras localidades, poderia ir em outro dia já que não tinha pressa, mas fiquei tão perplexa em ver como as coisas são feitas, com o descaso do primeiro funcionário que me atendeu… que bati o pé mesmo e, agora, daqui a 25 dias o RG do meu pequeno estará pronto. Resumindo foi isso que aconteceu… no meio do caminho, a mesma senhora me mandou 2 vezes ao fotógrafo do outro lado da rua refazer as fotos 3×4 pois ela não estava gostando do close de rosto das que tiramos antes, puxava impaciente os dedinhos do Caio para carimbá-los e depois quase ralou a mãozinha do Caio ao tentar (sem me ouvir que não o fizesse) limpar as mãos do pequeno com um papel grosso, seco… enquanto em minhas mãos estavam as toalhinhas umedecidas Johnson’s…  Mas essa parte até considero que foi mais mau-jeito, mais coisa de gente desastrada e rude mesmo do que má vontade.

 

Chato mesmo foi o fato de este dia não ter sido como eu imaginei. Como mãe zelosa (e leoa) e como romântica que sou, achei que levar meu bebê para fazer os documentos seria algo super legal, uma história gostosa, um dia perfeito… e não foi, mas dos males o menor, pelo menos essa confusão toda me rendeu uma história… que, com certeza, vou repetir para meu filho quando ele puder entender.  E a foto? Os meus sogros devm estar se perguntando… gente, levei a máquina, mas com tamanha correria e stress, não rolou registrar os dedinhos sujos do Caio. Sorry! E mãe, dessa vc vai gostar, quando eu saí de lá – 2horas depois – os dois funcionários ja tinham me mostrado fotos dos netos, contado causos da vida e se despediram com um “vá com Deus”.

29
Ago
08

bebês poliglotas

Seu bebê pode entender inglês melhor que você? Esta é a chamada de matéria da Revista Epoca desta semana. “Segundo pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os bebês podem, já nos primeiros meses de vida, diferenciar idiomas. Isso significa que, devidamente estimulados, eles podem se tornar poliglotas logo cedo“.

Não li a pesquisa sugerida, nem sei se já foi concluída, mas o título me chamou a atenção porque acho sim, muito provável, que as crianças desde cedo possam desenvolver habilidades do cérebro ligadas a fala e processamento de toda e qualquer informação nova, incluindo diferentes idiomas. Meus sobrinhos de quase 6 e 8 anos, desde cedo (ainda bebês) foram apresentados aos objetos, brinquedos, conversas cotidianas com a mensagem (nome, ação, função) em português, inglês e japonês. E hoje eles tem uma enorme facilidade para pronunciar palavras, expressões curtas, cantar e assistir programas de TV em ambas as línguas. É claro que o fundamental foi o incentivo dos pais e o meio onde vivem, mas tudo é bem possível, ainda mais nos tempos de globalização, tv a cabo e internet… Eu me espelho nestes exemplos e em outros semelhantes e já faço com o meu pequeno a mesma coisa… desde os 2 ou 3 meses… talvez ele não saiba exatamente o que significa a palavra, mas com a repetição pode estabelecer sentido entre o que digo e o que isso representa, além de ficar comum à sua audição escutar tais e tais palavras, tanto em português quando inglês ou japonês. Mas, não, eu não exagero, não tenho expectativas que meu bebê saia falando: mamãe/ mother/okaasan… por enquanto repito as cores, nomes de bichos, dou os parabens quando acerta e faz algo bonito, digo palavras carinhosas e canto pra ele… acho que estou no caminho certo!

—- mas, voltando a reportagem:

O que a pesquisadora Eloísa de Oliveira Lima, do Departamento de Neurolingüística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quer descobrir é a partir de que idade as crianças são capazes de identificar os fonemas e, por conseqüência, as palavras. Uma das aplicações mais imediatas para a pesquisa é saber desde quando os bebês podem ser estimulados a aprender outros idiomas.

Para investigar a formação da linguagem nos seres humanos, sobretudo nos recém-nascidos, Eloísa vai retomar, em setembro, os experimentos iniciados pelo cientista francês Jacques Mehler, um lingüista ligado à Universidade de Trieste, na Itália. Na década de 90, Mehler criou o “chupetógrafo” (Hã?), um aparelho que liga a chupeta do bebê a um sensor que é capaz de detectar as reações dos bebês em relação a estímulos de linguagem. Segundo a pesquisadora brasileira, quando um bebê recebe um estímulo em uma língua que não seja a sua, ele responde através de uma variação na sucção da chupeta. Em geral, ele suga de maneira mais intensa quando escuta alguém em uma língua estranha ao seu ambiente habitual. O “chupetógrafo” brasileiro será implementado com avanços em relação à sua primeira versão. Agora, o aparelho contará com a tecnologia bluetooth – de transmissão de dados sem fio – e poderá ser adaptado à própria chupeta do bebê.

Em entrevista a ÉPOCA, a pesquisadora fala sobre como pretende avançar nos estudos iniciados por Jacques Mehler e diz que, até os 7 anos de idade, é possível ser considerado praticamente um nativo na língua.

ÉPOCA – Quando a criança define a língua que ela irá falar no cotidiano?
Eloísa -
No final dos anos 80, com o avanço da neurociência, chegou-se à conclusão de que existe uma área funcional para a linguagem no cérebro. Portanto, nascemos com uma região no lado esquerdo do cérebro dedicada à oralidade. Porém, se você não estimular a linguagem até determinada época de sua vida, você não conseguirá falar. Precisamos do gene da linguagem e do meio em que estamos. Os dois fatores são fundamentais. Quando nascemos, não sabemos em que país estamos. Um bebê não nasce sabendo que está no Brasil e que, por isso, ele tem que falar o português. Ele irá falar a língua do seu entorno. Se for português, irá falar português. Por exemplo, se uma avó cuida do neto durante alguns dias da semana e fala com ele em polonês, se a mãe que fica com ele nos outros dias fala chinês e o pai fala com ele em inglês, a criança poderá adquirir, tranqüilamente, as três línguas a partir do momento em que elas estiverem bem distribuídas em tempo e intensidade. A criança se tornará um poliglota. Ela saberá distinguir com quem falar o quê.

ÉPOCA – Isso significa que os pais devem ensinar línguas às crianças o mais cedo possível?
Eloísa -
Sim. Até os seis meses de idade todas as crianças balbuciam os sons. Mesmo os bebês surdos e mudos. Até o primeiro ano de vida, os bebês vão ganhando e perdendo os sons da linguagem. Por exemplo, os orientais não falam os erres. Como o fonema não é utilizado na língua chinesa, os chineses acabam perdendo esse som antes mesmo de começar a falar. Eu sou coordenadora de um curso de inglês e, embora tenha me formado em letras e tenha trabalhado com adultos, eu optei, intuitivamente, há muitos anos, por trabalhar somente com crianças. Eu sempre me sentia muito mais gratificada quando trabalhava com elas. Hoje eu sei que a janela para aquisição de línguas se fecha aos sete anos de idade. Depois disso, tudo se torna mais difícil, mais cansativo. Você já será um falante estrangeiro do idioma. Você não irá aprender da mesma forma que você aprende sua língua materna. Irá precisar de toda uma artificialidade para aprender, como decorar regras e palavras. É por isso que um adulto estuda muito e, quando chega lá fora, muitas vezes, não consegue entender um nativo da língua.

ÉPOCA – A criança aprende, então, a falar uma língua sem sotaque?
Eloísa -
Sim, as crianças que aprendem uma língua com menos de sete anos de idade irão falar sem sotaque. A partir dos três anos de idade, os lingüistas consideram uma criança que aprende outra língua como se fosse um nativo. Aos sete anos, as crianças já são consideradas como falantes estrangeiras, ou seja, elas irão carregar o sotaque de sua língua materna para sempre, em qualquer outra língua que falarem.




 

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