Hum… desde ontem, domingão, estamos tendo chuva, friozinho, muita preguiça e aquela fominha aqui em casa. Chuva no Rio desanima cariocas e turistas, mas aqui em casa dá uma ” sensação gostosa” de pertencimento… Com total “cara” de Curitiba, o dia hoje está propício para muita preguiça, ficar sentado em frente à tv com edredon e pipoquinha, ou no meu caso, muito aconchego com o CJ. Claro, lamento pelo Ju que teve que ir trabalhar e por todos que devem estar enfrentando aquele trânsito caótico lá fora… e pelas buzinas que ouço daqui de dentro da minha sala, o negócio está feio mesmo… Sorte para uns, azar para outros… hehehe! Deboche só hoje, vai!
Arquivo para Setembro 15th, 2008
Chuva! Frio! Preguiça! Fominha!
Cachorros, pra que te queremos?
Por que será que algumas pessoas gostam tanto de cachorros? Me faço essa pergunta sempre que eu me flagro sorrindo para cães nas ruas, sempre que deixo os meus ou os cachorros dos outros pularem em mim, me sujando e deixando “fedida”, sempre que observo a capacidade de doação e inclusão que algumas pessoas tem ao trazer seu cachorro para a importância de membro da família, muitas vezes até chamando e tratando os cães como filhos, assim como se faz com filhos humanos… e assim por diante… nem sei desde quando a humanidade entende os cachorros como animais domésticos e companheiros (acho que já li algo sobre esta questão histórica, mas não lembro onde), o fato é que como diz o dito popular “o cachorro é o verdadeiro amigo do homem” e para quem tem a sensibilidade de amá-los, cuidá-los e dividir suas vidas com eles, não há momento mais lindo e especial do que quando, para os donos de fêmeas, elas dão a luz a cachorrinhos minúsculos, frágeis e doces.
Há anos atrás eu embarquei no lindo sonho de ser “dona” (depois de um tempo, quem é dono de quem, quem rege o que, quem manda em quem, pessoas ou os animaizinhos?) de uma cocker spaniel. Desde essa primeira cachorrinha, a Shenny (em 91) eu já tive outras, a Twiggy (de 92 a 97), a Piper (99), a Lela (2000) e por fim, a Yuki (2004). A primeira ficou comigo dos 3 meses aos 6, depois mudamos de cidade e ela voltou para a dona de sua mãe. A Twiggy foi a mais especial, o amor da minha vida (em termos de amor canino) inesquecível, morreu de cinomose num dos momentos em que a vida me deixou mais triste. A Piper comprei com parvovirose, ficou comigo dos 40 aos 50 dias de vida, mas morreu amada e protegida. A Lela amava mais a minha irmã, Sheron, migrou de dona… coisas que cachorros fazem, depois tive que deixá-la com uma amiga Jo e seus filhos porque mudamos para um apartamento, mas no fim ela foi adotada por um casal que entre as regalias a pôs para dormir com eles na cama, hoje está grande, feliz e com o salão (banho, tosa e penteados) em dia. E a Yuki, minha linda cocker branca (diferente das outras caramelos) vive com meus pais em Curitiba porque eu tive que mudar para o Rio de Janeiro… ela é filha da Lela com o Buddy, nosso tb cocker caramelo, irmão da Twiggy, que já foi e voltou, sempre nos fazendo ter histórias para contar… nosso companheirão! Ok, ok, mas porquê este post sobre cachorros?
O fato é que neste final de semana nasceram os 5 filhotes da Doti, a cachorra-filha de nossos amigos Ve e Caesar, aqui no Rio. Ela é uma Jack Russel pequenina, elétrica e sósia do Milo (o cachorro do filme O Máscara). E isso me fez lembrar como é especial nosso relacionamento com cachorros. A minha Twiggy teve duas crias, de 4 e 6 filhotes, eles nasceram nas minhas mãos e da Sheron, minha irmã… e embora isso faça muitos anos, nunca esqueci a emoção de ver aquelas criaturinhas lindas nascendo, cada uma a seu tempo, saindo devagar, o cuidado da Twiggy ao abrir as bolsinhas, lambê-los, limpá-los, cortar cordão umbilical, aquecer, deixar mamar, comer a placenta, limpar as fezezinhas, ajudá-los a sair do ninho quando a hora chegou, morder e carregá-los casa canina afora, pelo quintal, casa humana adentro… a delicadeza animal mais linda que já vi. Uma sutileza, uma sabedoria instintiva que impressiona qualquer um, que apaixona cada vez mais quem escolhe ser veterinário, que instiga crianças e jovens sobre o poder da vida, que orgulha donos e aproxima todos da famíia que por 2 meses viverão com as mãos e bolsos cheios de filhotinhos…
Aí, pensando em tudo isso, eu dizia para a Ve, que vivera dias de ansiedade acompanhando o final da gestação da sua Doti: “calma, vai dar tudo certo, ela vai fazer tudo certinho, se precisar vc ajuda assim, ajuda a romper as bolsinhas abrindo o saco com a unha mesmo, aproxima o filhote dela para ela lamber e limpar”; ” pode demorar um pouco”; “passe gelo na boquinha dela, ela sentirá calor, ficará ofegante”… eu queria ajudar, mas acho que não minimizei a ansiedade de minha amiga não… o que acompanhei e constatei foi a transição desta ansiedade para um misto de orgulho e admiração que a Ve demonstrou pela “sabedoria” instintiva da Doti que conseguiu atender bem e sozinha todos os 5 filhotinhos. 5 filhotes saudáveis, de tamanhos adequados, de pêlo lisinho e corpinho roliço… cheirosos como só os filhotes podem ser. Ver que a experiência de acompanhar um nascimento, mesmo que de um animal, pode fazer uma pessoa ficar mais madura, obter mais experiência de vida, é tb muito gratificante. Ver como somos capazes de nos emocionar diante da beleza da vida e das obras de Deus e da Natureza são incríveis… nos fazem refletir…
No sábado a tarde, fomos conhecer os pequenos e por um gosto da mãe aqui, aproximei o CJ de um dos filhotes e da “mãezinha serelepe” para que ele iniciasse no mundo de amor aos caninos, acarinhando aquele frágil filhotinho e eis que o meu pequeno passou mesmo a mãozinha e demontrou alegria. Isso me encheu o coração, ainda que o momento parecesse fulgás e corriqueiro… Acho que a Tia Ve tb o sentiu. Que bom se a vida sempre nos proporcionasse isso, o contato com a essência dos sentimentos, da sabedoria e da transparência como quando vemos um nascimento, um bebê descobrindo o mundo ou uma cadelinha mostrando seus filhotes toda prosa!
PARABENS DOTI!

















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