15
Set
08

Cachorros, pra que te queremos?

Por que será que algumas pessoas gostam tanto de cachorros? Me faço essa pergunta sempre que eu me flagro sorrindo para cães nas ruas, sempre que deixo os meus ou os cachorros dos outros pularem em mim, me sujando e deixando “fedida”, sempre que observo a capacidade de doação e inclusão que algumas pessoas tem ao trazer seu cachorro para a importância de membro da família, muitas vezes até chamando e tratando os cães como filhos, assim como se faz com filhos humanos… e assim por diante… nem sei desde quando a humanidade entende os cachorros como animais domésticos e companheiros (acho que já li algo sobre esta questão histórica, mas não lembro onde), o fato é que como diz o dito popular “o cachorro é o verdadeiro amigo do homem” e para quem tem a sensibilidade de amá-los, cuidá-los e dividir suas vidas com eles, não há momento mais lindo e especial do que quando, para os donos de fêmeas, elas dão a luz a cachorrinhos minúsculos, frágeis e doces. 

Há anos atrás eu embarquei no lindo sonho de ser “dona” (depois de um tempo, quem é dono de quem, quem rege o que, quem manda em quem, pessoas ou os animaizinhos?) de uma cocker spaniel. Desde essa primeira cachorrinha, a Shenny (em 91) eu já tive outras, a Twiggy (de 92 a 97), a Piper (99), a Lela (2000) e por fim, a Yuki (2004). A primeira ficou comigo dos 3 meses aos 6, depois mudamos de cidade e ela voltou para a dona de sua mãe. A Twiggy foi a mais especial, o amor da minha vida (em termos de amor canino) inesquecível, morreu de cinomose num dos momentos em que a vida me deixou mais triste. A Piper comprei com parvovirose, ficou comigo dos 40 aos 50 dias de vida, mas morreu amada e protegida. A Lela amava mais a minha irmã, Sheron, migrou de dona… coisas que cachorros fazem, depois tive que deixá-la com uma amiga Jo  e seus filhos porque mudamos para um apartamento, mas no fim ela foi adotada por um casal que entre as regalias a pôs para dormir com eles na cama, hoje está grande, feliz e com o salão (banho, tosa e penteados) em dia. E a Yuki, minha linda cocker branca (diferente das outras caramelos) vive com meus pais em Curitiba porque eu tive que mudar para o Rio de Janeiro… ela é filha da Lela com o Buddy, nosso tb cocker caramelo, irmão da Twiggy, que já foi e voltou, sempre nos fazendo ter histórias para contar… nosso companheirão! Ok, ok, mas porquê este post sobre cachorros?

O fato é que neste final de semana nasceram os 5 filhotes da Doti, a cachorra-filha de nossos amigos Ve e Caesar, aqui no Rio. Ela é uma Jack Russel pequenina, elétrica e sósia do Milo (o cachorro do filme O Máscara). E isso me fez lembrar como é especial nosso relacionamento com cachorros. A minha Twiggy teve duas crias, de 4 e 6 filhotes, eles nasceram nas minhas mãos e da Sheron, minha irmã… e embora isso faça muitos anos, nunca esqueci a emoção de ver aquelas criaturinhas lindas nascendo, cada uma a seu tempo, saindo devagar, o cuidado da Twiggy ao abrir as bolsinhas, lambê-los, limpá-los, cortar cordão umbilical, aquecer, deixar mamar, comer a placenta, limpar as fezezinhas, ajudá-los a sair do ninho quando a hora chegou, morder e carregá-los casa canina afora, pelo quintal, casa humana adentro… a delicadeza animal mais linda que já vi. Uma sutileza, uma sabedoria instintiva que impressiona qualquer um, que apaixona cada vez mais quem escolhe ser veterinário, que instiga crianças e jovens sobre o poder da vida, que orgulha donos e aproxima todos da famíia que por 2 meses viverão com as mãos e bolsos cheios de filhotinhos…

Aí, pensando em tudo isso, eu dizia para a Ve, que vivera dias de ansiedade acompanhando o final da gestação da sua Doti: “calma, vai dar tudo certo, ela vai fazer tudo certinho, se precisar vc ajuda assim, ajuda a romper as bolsinhas abrindo o saco com a unha mesmo, aproxima o filhote dela para ela lamber e limpar”; ” pode demorar um pouco”; “passe gelo na boquinha dela, ela sentirá calor, ficará ofegante”… eu queria ajudar, mas acho que não minimizei a ansiedade de minha amiga não… o que acompanhei e constatei foi a transição desta ansiedade para um misto de orgulho e admiração que a Ve demonstrou pela “sabedoria” instintiva da Doti que conseguiu atender bem e sozinha todos os 5 filhotinhos. 5 filhotes saudáveis, de tamanhos adequados, de pêlo lisinho e corpinho roliço… cheirosos como só os filhotes podem ser. Ver que a experiência de acompanhar um nascimento, mesmo que de um animal, pode fazer uma pessoa ficar mais madura, obter mais experiência de vida, é tb muito gratificante. Ver como somos capazes de nos emocionar diante da beleza da vida e das obras de Deus e da Natureza são incríveis… nos fazem refletir…

No sábado a tarde, fomos conhecer os pequenos e por um gosto da mãe aqui, aproximei o CJ de um dos filhotes e da “mãezinha serelepe” para que ele iniciasse no mundo de amor aos caninos, acarinhando aquele frágil filhotinho e eis que o meu pequeno passou mesmo a mãozinha e demontrou alegria. Isso me encheu o coração, ainda que o momento parecesse fulgás e corriqueiro… Acho que a Tia Ve tb o sentiu. Que bom se a vida sempre nos proporcionasse isso, o contato com a essência dos sentimentos, da sabedoria e da transparência como quando vemos um nascimento, um bebê descobrindo o mundo ou uma cadelinha mostrando seus filhotes toda prosa! :) PARABENS DOTI!


7 Respostas para “Cachorros, pra que te queremos?”


  1. 16 16UTC Setembro 16UTC 2008 às 11:02 am

    Ti, emocionante suas lembranças que são um pouco minhas também. Deveria ter incluido fotos da Lela e Yuki bebês. Quero relembrar duas coisas: a Lela é filha do Dick, cão que tem uma história incrivel com meus padrinhos. E um dos filhotes da Twiggy, o Tequila, nasceu nas mãos do Gui, porque a Twiggy estava exausas e ele ajudou-a, abrindo o saquinho para ele respirar. Ele amava o Gui imensamente por conta disto. E embora tenha ficado em Campinas, ele tem uma vida de rei como a da Lela.
    Adoramos os cães dos Rigoti, lindos, nos apaixonamos por um que tem manchinha marrom nas costas. Ela vai vender, doar ou o que? Ficamos bem interessados em pegar um quando formos ao Rio em novembro. Será que rola?

  2. 2 Tiffany
    16 16UTC Setembro 16UTC 2008 às 2:07 pm

    Sá, vou procurar fotos das cockers e coloco em outro post, referente a esse, pode deixar… vontade de lembrar delas, falar sobre e curtir o tema cachorros não me falta. Desculpe, esqueci de mencionar você e o Gui, mas lembrava do carinho de vocês e dedicação a todos os filhotes da Twiggy, claro. Fico feliz de saber que o Tequila vive bem em Campinas, achava que depois da volta da Aletéia para Curitiba, que tinham perdido o contato (e consequentemente notícias) dele… Que bom que vive tão feliz quanto a Lela (quase uma filha para a Marli e o esposo). Sonho em trazer a Yuki para perto de mim para podermos curtir juntas essa parceria entre pessoas e cães, que faz tanta gente mais feliz! E o Dick… claro, lindo e “outro membro da família”… acabei me prendendo às fêmeas e por isso fiz rápido comentário sobre o Buddy apenas, mas se formos parar pra contar sobre todos os nossos cachorros e de queridos nossos, já viu, serão dúzias e mais dúzias de posts! Um beijo. Ti
    Sobre os cães dos Rigoti, são 3 machos e 2 fêmeas, esse que vocês gostaram é um macho. Eles vão vender, mas ainda estão definindo valores e datas, por ora estão cuidando dos bichinhos e mimando muito… Quando souber mais notícias te aviso. Essa raça combina com crianças espoletas, acho que seria ideal para o Gio!!!

  3. 3
    17 17UTC Setembro 17UTC 2008 às 3:11 pm

    Ti, nossa quantas histórias dos seus amados cães hein, pois é a Lela é uma caso de muito amor com a Marli e o Edson, eles a tratam com uma rainha, acho que eles foram feitos uns para os outros, lamentei muito não ter ficado com ela, mas na época a Neguinha (minha pastor-belga)quase a matou por ciúmes, então para protege-la resolvi doa-lá para eles e hj vejo que foi muito bom para todos.E fiquei mais feliz ainda quando você me compreendeu e aceitou o fato de eu não ter ficado com ela, e quem diria algum tempo depois a Lela lhe presenteou com a Yuke, paixão a primeira vista por ambas (vc e ela), lembra ela ainda filhotinha lhe esfregando o focinho, ali se encontravam os dois corações de ambas.
    Hoje infelismente não tenho mais a minha Neguinha companheira de nossa família, mas entendo deste amor que surge entre a gente e esses docéis animais.E quanto a Lela acompanho bem de perto toda a felicidade dela, vou ver para tirar outras fotos dela e mandar para você!
    Beijos e muito emocionante esse seu post.

  4. 4 Tiffany
    17 17UTC Setembro 17UTC 2008 às 5:31 pm

    Jo, obrigado pela visita e por compartilhar das lembranças… sei que se não fosse a Neguinha, na época, você teria ficado com a Lela sim… e há muito tempo tenho certeza de que foi acertada a sua atitude de deixar a Lela com a Marli e a família dela, vc sabe, gosto deles e acredito no amor sincero que eles tem pelos animais (o Shantung, o coelho, a gata e a Lelinha, claro). No final das contas, nessa história toda, tudo deu muito certo.

    E sim, me lembro da Yuki, pequena e branca como um floco de neve, se acomodando na minha echarpe, quase entrando no meu terno para naquele dia frio em que eu a conheci, se aquecer no meu peito. Lembro como se fosse hoje. Morro de saudades dela, vc nem imagina.

    Um beijo. Volte sempre!! Ti

  5. 5 Lúcia Itamara
    17 17UTC Setembro 17UTC 2008 às 5:46 pm

    Ti querida, você tem toda a razão em guardar e se emocionar com as lembranças dos nossos dogs, são histórias lindas que os envolve nas nossas vidas, tristeza pela perda de Twiggy, Toshi, que você me presenteou com tanto carinho e de cujo destino não pudemos nunca ter certeza e por isso ele figurou no bolo do teu casamento com asinhas e aureola e agora permanecem os dois remanescentes Buddy, nosso velho companheiro e sua filhinha Yuki, querida e inteligente, meio selvagemzinha pela convivência no quintal, mas sempre princesa. Espero que, ao contrário de todos os discurso, eu possa continuar com eles, agora que aposentada vou poder dar-lhes mais atenção, no que depender de mim, vou fazê-lo, permita-me Deus que assim seja.
    Obrigada pelo lindo compartilhar do seu coracão amoroso. Você é muito especial. Amor, mamãe.


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