06
Dez
08

Ainda mama?

Na manhã desta quinta-feira, passeando com o CJ aqui pelo bairro nós conhecemos a mãe do Diogo, um lindo menino de 3 meses, a baiana/carioca Ana Lúcia, numa “posição” muito interessante. Ela estava parada em pé, numa parte do estacionamento da Cobal (um tipo de mercado municipal daqui) com o filho meio deitadinho sobre o peito dela, de fraldinha, tomando sol na e com a mãe. Quem já teve filhos sabe que os médicos (e qualquer guia/livro) indicam que se faça isso. No início devemos dar banho de sol de até 3o min e com o passar dos meses esta exposição vai aumentando… enfim… mas nem todo mundo tem casa com varanda e quintal ou apartamento com sacada boa que pegue sol. No caso da Ana e no meu, nem uma coisa nem outra. Assim, ela me contou que leva o bebê todos os dias (exceto nos de chuva) para tomar sol, ali, daquele jeito. E ela estava tão à vontade, curtindo tanto aquele “momento mãe e filho” que nem parecia estar na rua, num lugar público. Eu fiquei admirada e porque parei para vê-los foi que iniciamos um bate-papo. E claro, a conversa tb foi além muito porque ela já tem um jeitão carioca/despojado/que conversa com todos, diferente do meu – ainda, persistente – jeitão de curitibana receosa. Mas, enfim…

O que isso me lembrou foi de como é gostoso essa fase dos filhos bebezinhos, como é legal ter que fazer isso ou aquilo para o bem dos filhos, como ter que passear (caminhar empurrando o carrinho) todos os dias de manhã e tarde, ficar ali paradinha no sol recebendo energia, fortalecendo pele e ossos, tomar sucos naturais com eles, água de côco, fazer passeios próximo à natureza… a idéia é beneficiá-los, envolvê-los em ambientes bons, companhias boas, mas a verdade é que faz muito bem pra gente também. É uma parceria deliciosa!!

Aí, depois desse encontro da manhã,  eu cheguei em casa e li um desabafo muito interessante sobre amamentação materna, no portal Desabafo de Mãe. A mãe, de um pequeno de 11 meses, cujo nickname no portal é Astronauta, contou como tem lhe incomodado ter que enfrentar críticas, sugestões e conselhos não pedidos a respeito do fato de ainda amamentar seu filho no peito.  Ela, que ofereceu exclusivamente o peito até os 6 meses do bebê, contou que:

Com 8 meses o pequeno comilão já fazia 4 refeições, comia bem, desfrutava das novidades, mamava cada vez menos… Porém, o momento cinco estrelas do dia continuava sendo a “hora da teta”. Essa hora não era só alimento, era consolo, era a canção de ninar, era carinho, era “a mamãe está aqui, e está tudo bem”… 
Até que o mundo ao meu redor, começou a achar que o João já estava grandinho para continuar mamando, e começaram as sugestões do porquê, como e quando desmamar”.

Como comentei no portal, eu também tenho sido vítima das mesmas observações que ela conta, por isso me identifiquei de imediato com o desabafo dessa mãe. O CJ está com 10 meses e meio e sempre as pessoas me perguntam “ele ainda mama no peito? Nossa, mas está tão grandão!”  E após minha resposta positiva (não sei porque me explico), mas após minhas explicações de sim, ainda amamento pois tenho tempo para isso, estou sempre em casa com ele, acho saudável que ele receba leite materno, era uma vontade minha e do meu marido, etc e tal… as pessoas ainda insistem, dizendo que “tem mãe que não consegue deixar de amamentar mesmo” ou “mas você sabe que não tem necessidade, né? agora que seu filho já come não precisa mais do seu leite”. É mole?!

Como disse a Astronauta, o pior é que nossa sociedade, as pessoas ao nosso redor se chocam menos com um recém-nascido tomando mamadeira do que um bebê de 2 anos mamando no peito, sendo que, como ela mesma aponta, com dados da OMS…

Isso é engraçado porque atualmente não há dúvidas de que a amamentação é a melhor forma de alimentar e interagir com o bebê. Todo mundo sabe e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda amamentar nos primeiros seis meses de forma exclusiva, e complementada até os dois anos ou mais. E na teoria todo mundo concorda, mas a realidade é outra.

Fica a pergunta: todas as mães são criticadas até quando tentam oferecer o melhor aos seus filhos ou isso acontece isoladamente, comigo, com a astronauta e mais meia dúzia de mães? Por que tanta gente “acha” que tem os melhores conselhos a oferecer quando se depara com uma mulher grávida ou mãe de primeira viagem, em especial, sobre a amamentação?

Páro, penso, reflito, mas ainda não entendo certas atitudes… nem as críticas por querermos oferecer nutrição, carinho e aconchego aos nossos pequenos filhos (sim, ainda nossos bebês mesmo que tenham aprendido a andar) e muitos menos àqueles olhares de reprovação quando oferecemos o peito em público. Falo dessa questão do peito, porque meses atrás eu li um texto muito bem humorado e coerente, de uma das mães autoras do blog Mamíferas e fiquei de comentar aqui quando tivesse chance. 

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 Quando eu estava grávida achava que nunca amamentaria em público, nem na rua  e muito menos na frente dos amigos homens, pai, sogro ou irmãos. Coisa de gente  envergonhada e pudica… claro que hoje, pensando e agindo diferente, não saio  ostentando o peito na frente dos outros, meu objetivo é oferecer leite ao meu filho,  por isso abro a blusa o suficiente para que ele mame, apenas e dou preferência por usar  blusas de botão ou decote transpassado, mas não deixo de amamentar, em hipóstese  alguma, só por estar num restaurante, no shopping, praia ou casa de amigos.

Ter que fazê-lo em público não é problema nem vergonha, é fato, é atitude natural de uma mulher que teve bebê e quer alimentá-lo da forma mais natural que existe. Porém, é aí que entra o relato da Tatá, tem muita gente por aí que acha ruim ver mães amamentando, gente preconceituosa e esquisita que fica olhando para depois criticar, gente que não tem nada a ver com as nossas vidas, mas que dá palpite e até mesmo pratica atitudes desagradáveis quando próximas. A Tatá conta:

 

… não foram poucas as vezes em que tive que aguentar alguém (geralmente um funcionário do lugar, segurança ou algo assim) vir me abordar perguntando se eu não gostaria de amamentar “mais reservadamente, no fraldário”. 

Amamentar no fraldário? Escondidinha numa daquelas ‘baias’ apertadas, abafadas e incômodas que normalmente são reservadas para isso? Por quê? Uma vez, cheguei a perguntar para um segurança de shopping: “você gostaria de almoçar no banheiro? não, né? então porque minha filha deveria?? [...]

 

Adorei isso! A resposta dada ao segurança me deixou orgulhosa. Porque gente, não há coisa pior do que ser vítima do olhar reprovador de pessoas pretensiosas que julgam saber o que é melhor para nós e nossos filhos sem sequer nos conhecer. Ainda mais quando o assunto é tão delicado, natural e especial como a amamentação. Que essa parte do post fique de alerta a quem, mesmo sem querer “já lançou aquele olharzinho desagradável” para uma mãe em situação semelhante… ou mesmo, naquelas em que a criança se joga no chão fazendo birra, pois isso muitas vezes não é falta de educação e repreensão dos pais, viu, mas uma tentativa da criança de impor sua vontade, testar limites. Fazer birras faz parte, presente em muitas etapas e a mãe já fica constrangida por si só, não precisa – ainda mais – do olhar crítica das pessoas ao seu redor. hehehehehe

Um abraço. O post ficou longo, mas acho que valeu a pena :)


9 Respostas para “Ainda mama?”


  1. 7 07UTC Dezembro 07UTC 2008 às 9:51 am

    Ti, assino em abaixo. Como ouvi isso…foram 2 anos e meio de amamentação com a Pipoca, e foi um sufoco desmamá-la. Eu AMEI amamentar e não estava nem aí para os palpiteiros. Depois de um certo tempo, ela com 1 ano e meio mais ou menos, evitava amamentar emúblico, pq ela estava muito grande e eu já tinha começado a regrar pra tirar (pq tava atrapalhando a alimentação – nossa novela). Pipoca até hoje acaricia meu peito, especialmente qdo fica meio carente. Qdo a gente se mudou ela voltou a dormir com a gente e, nos primeiros dias, com a mão no meu peito. E é claro que eu deixei. O peito pra ela é segurança, é nutrição, é amor. Ela estava passando por um momento delicado, então…por que não?
    Dizem os psicólogos que é legal dar até 1 ano e meio aproximadamente, pra não gerar dependência no futuro. Se é verdade, não sei. Tenho certeza de duas coisas: a primeira, que a amamentação é maravilhosa enquanto for saudável e nutrir (em sentido amplo) filho e mãe. A segunda é que, se a criança não está querendo largar naturalmente, é preciso um plano para demsmá-la e muita disciplina e força de vontade: não sá pra tirar de um dia pro outro, é preciso regrar e ir diminuindo aos poucos até que o leite vai secando e ficando com um gostinho ruim, e a criança vai deoxando pra lá.
    Ah, tem mais uma: cada mãe é uma mãe, cada filho um filho, e cada família uma família. Não existe fórmula pra que a amamentação seja perfeita do início ao fim. É preciso, como tudo na maternidade, sempre achar o nosso jeito de fazer as coisas, e tentar fazer o melhor possível, lembrando que nem sempre será da forma que consideramos ideal.
    Beijo
    Re

  2. 7 07UTC Dezembro 07UTC 2008 às 3:15 pm

    Ê, valeu mesmo!

    Olha, Tiffany, eu não entendo o porquê das pessoas se importarem tanto com mães que amamentam em público. Mas vejo que isso é mesmo meio frequente – embora eu, graças a Deus, nunca tenha sido abordada por ninguém reclamando e nem tenha percebido olhares reprovadores para mim.

    Pode até ser que tenham olhado, mas eu me concentro tanto no bebê mamando, que não vejo nada mais à minha volta… Azar dos outros se acharem ruim.

    Quanto a mamar por tempo mais prolongado, eu acho super importante, porque sempre estaremos passando nossos anticorpos para nossos filhotes – e eles ficarão menos propensos a infecções e viroses. Sem falar na troca de carinho e afeto entre mamãe e bebê, tão importante para o crescimento saudável dos pequenos.

    O que percebo é que, em nosso país, o leite da mãe é sempre visto como “leite fraco”. Como assim? Só porque o bebê come não precisa mais mamar no peito? O que é que uma coisa tem a ver com a outra?

    Mas somos nós, com nosso trabalho de formiguinha, que vamos aos poucos conseguindo conscientizar as pessoas da importância da amamentação.

  3. 3 Tiffany
    8 08UTC Dezembro 08UTC 2008 às 1:32 pm

    Nossa Renata, que bacana que vc amamentou bastante assim… tão bom, né?! Eu tenho tentado fazer como você disse que fez, ficar alheia para os palpiteiros, ignorando comentários indevidos, mas confesso que é difícil porque embora convicta de minhas ideías e vontades sobre este assunto, quando há um comentário ou outro eu não resisto e fico pensando no assunto, tentando entender o porque das coisas que a pessoa disse e reavaliando as minhas idéias… tola eu, talvez, mas sou assim com tudo. E ainda me chamam de teimosa, já pensou?!

    Mas, é fato que o CJ além de mamar se alimenta muito bem, acho que por isso dou mais corda para reflexões sobre a necessidade da amamentação, ainda assim vou mantê-la. Ele gosta, eu gosta, um faz bem para o outro…

    Depois dos 6 meses, nós introduzimos as frutas, sucos, papinhas salgadas, agora já somente amassadinhas, algumas sobremesas, chás, água e gelatina. E tudo que é oferecido ele dá umas beliscadinhas, já conseguindo selecionar suas preferências, mas pede o peito sempre que está com sono, inseguro ou com sedinha… ele diz: me dá, me dá e ri esperando que eu dê o peito. É o máximo!!

    O certo é que quando eu decidir desmamá-lo vou ter um pouquinho de trabalho, mas vamos adotar alguma técnica pra isso… espaçar as mamadas e coisas assim… se eu precisar, vou recorrer a você. Um beijo.

  4. 4 Tiffany
    8 08UTC Dezembro 08UTC 2008 às 2:57 pm

    Andrea querida, vc é visita fiel, né?! adoro.

    Que bom que vc nunca passou por essas olhadas e nem teve que enfrentar gente te medindo só por amamentar em público, sorte a sua mesmo.

    Eu já passei por gente olhando com carinho (amigos geralmente) e gente olhando com despeito e inveja, triste…

    Agora essa história do leite fraco que vc comentou é verdade, hein?! Ouço muitas pessoas falarem, equivocadamente, sobre isso. Mulheres que amamentaram pouco (1 ou 2 meses) já me disseram que não há “diferença de verdade” entre o leite do peito e os leites em pó a venda no mercado, já pensou?!
    E algumas que nem amamentaram, pois tiveram problemas com seio empedrado ou a dificuldade do bebê pegar o bico do seio, já me falaram que pularam direto para a mamadeira, os filhos são saudáveis e por isso chegaram a conclusão que “amamentar no peito” é bobagem, pressão da mídia e da classe médica…
    Ai, eu posso com gente assim?!
    Mas, fazer o que? esses pensamentos seguem a tendência de pouco conhecimento e imaturidade que outros como deixar de engravidar ou adiar um gestação por ciúmes do marido ou para não perder a forma física… tem gente pra tudo, afinal.
    Andrea, um beijo em vc e nos pequenos.

  5. 5
    9 09UTC Dezembro 09UTC 2008 às 12:13 pm

    Oi Ti!!!

    Olha acho super o fato de vc amamentar e continuar fixa em querer dar o melhor para o CJ até quando ele quiser, os meus sempre pararam por conta própria nos 10 meses no máximo, gostaria de ter dado mais, mas a coisas que acontecem como Deus quer, e olha já recebi sim olhares indiscretos por estar amamentando em público, mas fiz de conta que não era comigo, acho ridiculo esse tipo de atitude, afinal quem nunca foi amamentado em público um dia?
    Parabéns pelo levantamento dessa bandeira sobre a amamentação eu apoio vc 100%.
    Beijos Jô

  6. 10 10UTC Dezembro 10UTC 2008 às 3:55 pm

    Ficou barbaro o texto!!
    Adorei!!
    Tô de férias no Brasil e em uma semana já ouvi mais “ainda mama” que os ultimos meses na Espanha… Pensava que aqui as pessoas eram mais pró-amamentação… Que engano.
    Lá pelo menos essa história de dar de mamar em fraldário não existe, e eu não tenho nenhum pudor de “discretamente” dar de mamar ao meu filho em qualquer lugar… Sei que ainda vou ouvir muito… mas já aprendi a fazer ouvido de tunel.
    Obrigada por apoiar meu desabafo!!

    um beijo. Flavia

  7. 7 Tiffany
    11 11UTC Dezembro 11UTC 2008 às 11:32 am

    Jo, obrigado pela visita e apoio. Mãe é fogo, né?! A gente tem que se desdobrar em mil e ainda reivindicar mais respeito e menos crítica… hehehe

  8. 8 Tiffany
    11 11UTC Dezembro 11UTC 2008 às 11:34 am

    Flávia, que legal que está no Brasil (pertinho da Família, nessa época do ano, nada melhor) e que achou uma brechinha para ler o texto.
    Estou sempre à disposição para apoiar qualquer questão que envolva amamentar, amar e criar bem nossos filhos. Um abraço grande. Curta as férias. Ti

  9. 12 12UTC Dezembro 12UTC 2008 às 11:40 pm

    É, nova amiga, ser humano tem essa mania mesmo, de opinar demais sobre a vida dos outros… se não amamenta, é porque não é mãe por inteiro; se amamenta até mais tempo, não consegue deixar de amamentar, e por aí vai, uma lista de motivos prá bisbilhotar. Mulherada, então, adora. Não liga não, faz o que seu coração manda, e vamos em frente. Gostei do seu blog, voltarei.


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