Me recordo que logo que mudei para o Rio de Janeiro, em 2006, comecei a perceber como era (é ainda) frequente o número de pais e mães que, através da imprensa, se fazem ouvir, clamando por justiça e solidariedade sempre que o tema é a morte de seus filhos. Nunca antes eu tinha me deparado com tantos números de mortes por balas perdidas, ações equivocadas das polícias (civil e militar), por acidentes domésticos, violência urbana e afins. Nunca tinha me dado conta da quantidade de crianças que morrem diariamente. Por razões profissionais e por consciência social de cidadã sabia e me mantinha atenta aos índices de violência doméstica, sem morte, ainda que horríveis tanto quanto…
E agora, especialmente depois da maternidade, me choco ao constatar que a vida hoje não é mais valorizada, muito menos priorizada, ao contrário, tem sido banalizada de tal forma, em atividades sociais, no cinema, às vezes na teledramaturgia e sempre nos conflitos sociais entre “bandidos” e “mocinhos” que me pergunto aonde vamos parar?

Quando o menino João Hélio veio a óbito depois da história horrível e trágica que o envolveu junto com mãe e irmã, tive certeza que a cidade do Rio de Janeiro era inapropriada para se ter filhos. Pode ser… quem sabe?! O fato é que, independente das condições que motivaram essa tragédia, muitas famílias já tinham e outras estão tendo suas crianças (como eu) e só o que pedem é segurança, paz, qualidade de vida e justiça a quem perdeu os seus. No caso do João Hélio, como narrei num post aqui mesmo, a perplexidade da sociedade foi maior pela crueldade com que os assaltantes abordaram a família e levaram o carro com o pequeno junto. Há 5 meses atrás, no entanto, com a mesma perplexidade, nossa sociedade voltou a se indagar sobre onde estamos vivendo, quando a família do pequeno João Roberto, morto após o carro da família ter sido alvejado por tiros que partiram da polícia, foi vítima de quem deveria nos proteger e faz o oposto.
Ontem, mesmo sendo uma desconhecida qualquer que acompanha este segundo caso que mencionei, fiquei triste de verdade por saber da sentença da justiça no processo/julgamento de acusação da família de João Roberto contra um dos policiais (são 2, o outro ainda aguarda julgamento) envolvidos no crime.
Os pais e o irmão caçula, testemunha e vítima do crime assim como a mãe, perderam um filho/irmão, assassinado pela Polícia do Rio de Janeiro, ainda que essa não fosse a intenção dos PM’s envolvidos.
O Cabo William de Paula foi absolvido por 4 votos a 3.
Ele foi condenado a um ano de prestação de serviços por lesão corporal.
Os pais do menino clamam por mais seriedade na condução de processos como este e em especial, no trabalho dos jurados, cidadãos comuns chamados a participar da avaliação das provas e decisão sobre o resultado final. No programa da Ana Maria Braga, hoje cedo, contaram mais sobre o julgamento e novamente expuseram a dor, o sofrimento e a revolta com que se deram o julgamento e a sentença branda.
A nós, resta refletir: se um caso de assassinato como este não recebe a justiça adequada e esperada, com imagens de tv servindo de provas, o que podem esperar e devem sentir os pais de crianças mortas – diariamente – por balas perdidas de tiros disparados entre polícia e bandidos, nas ruas e morros da cidade maravilhosa?
As FAMÍLIAS FICAM DESPEDAÇADAS e se vêem obrigadas a reaprender a viver sem aquela pessoinha… Há coisa mais injusta?











Estou revoltada com isso, Ti.
tem horas que sinceramente, tenho vontade de parar tudo, e continuar minha vidinha medíocre rezando somente para que não sejamos os próximos….
Como lutar?
O que fazer?
Se nem assim conseguiram, há esperança? Não sei.
E a maioria, quer fazer alguma coisa?
Fui na passeata do João Hélio e sabe quantas pessoas tinham? 500.
Isso não é nada.
Só a mídia mesmo para mobilizar todo mundo e a gente se achar poderoso como foi o caso do Collor.
Cadê o Cansei! que não está com esta família, usando seus artistas para ajudá-los a mudar essa realidade revoltante.
Escrevi um post que vai ao ar na segunda sobre isso.
Droga!